domingo, 31 de agosto de 2008

Versao Francesa

Noite passada tive meu primeiro sonho em versao totalmente francesa. A cena se passava aqui mesmo, em Montreal, e toda a conversa entre mim e a senhora que me acompanhava, supostamente uma quebequense, foi em francês. Esta foi a primeira vez que sonhei integralmente em lingua estrangeira. No Brasil, varias vezes tive sonho em francês, mas somente eu falava e os demais me respondiam em português ou simplesmente ficavam em silêncio. C'est bizarre!!!

Claro, Bela!

Conheci Joe, irmao de Marie, e ele nos convidou para jantar. Fomos a um restaurante italiano do lado de casa, nao me lembro o nome do lugar. Marie disse que se tratava de um lugar chique, de classe. Talvez os meus parametros de restaurante caro e sofisticado sejam um pouco elevados, especialmente quando tomo como referência Sao Paulo, que nada deixa a desejar quando o assunto é gastronomia mundial.
O restaurante nao era necessariamente chique, mas depois da minha experiência na culinaria vietnamita, confesso que o italiano estava delicioso e mais proximo ao meu paladar. Pedi uma salada de entrada e costela de carneiro grelhada com legumes como prato principal. Normalmente, dispenso a sobremesa e vou direto para o café, mas o maitre foi muito simpatico ao me oferecer morangos frescos. Gosto mais de frutas do que doces.
Foi entao que perguntei se ele servia o verdadeiro espresso italiano. Para quem nao sabe, os cafés daqui parecem uma agua suja. Mesmo quando servem espresso, é preciso pedir e especificar que você o quer curto, ou seja, mais forte e encorpado. O maitre, tipico italiano expansivo e sorridente, respondeu: Claro, bela! Quer coisa mais gostosa do que sentir o aroma e dar o primeiro gole num café de verdade? Uma delicia!


sábado, 30 de agosto de 2008

Tour Gastronômico

Fazer um tour pelo mundo gastronômico dentro do seu proprio prato. É isso o que propoe o le Mondial Gourmand, de 21 a 31 de agosto, no Parc Jean Drapeau. Ao som de bossa nova, axé e outras batucadas, musica cubana, grega, argentina, apresentaçoes de capoeira, entre outras manifestaçoes culturais, diversas barraquinhas vendem pratos tipicos de paises como Brasil, Alemanha, Portugal, Italia, México, Espanha, etc.
Nao sei muito bem o que os organizadores e participantes do evento entendem por "pratos tipicos", mas o fato é que nas barraquinhas brasileiras o menu deixou bem a desejar. Claro, nao esperava uma orgia gastronômica, mas churrasco de carne de crocodilo, coxinha minuscula a um dolar e crepe, nao estao entre as minhas preferências nacionais.
Numa das barracas, um cartaz informava que ali tinha pastel de carne. Fui perguntar, em português, para saber se era o verdadeiro, aquele mesmo, da feira, com direito à garapa e tudo o mais. A atendente, cuja nacionalidade nao descobri, respondeu: "hoje non ter pastel". Entao ta, comi uma especialidade grega chamada pita e tomei suco de laranja Minut Maid.


Parque Jean Drapeau

Visa

Depois de um mês e cinco dias, hoje meu cartao de residente permanente finalmente chegou. Assim como o cartao de assistência social, o de residente permanente é um dos documentos mais importantes por aqui. Com ele consigo sair e entrar do Canada, além de ser uma das exigências no momento de procurar emprego e todas às vezes que me for solicitado pelos orgaos do governo. Mais do que um CPF ou qualquer outro documento de identificaçao, o cartao de residente permanente é um prova de que estou legalmente no pais e, portanto, apta a exigir e responder por meus direitos e deveres por aqui.

Segredos

Quando saio pelas ruas de Montreal meu interesse nao é somente conhecer os pontos turisticos, mas principalmente ouvir e observar as pessoas. Claro, nao saio por ai fazendo enquete, mas presto atençao a todo tipo de bate-papo e aos mais variados estilos. Se estou mais insipirada, penso como é a vida daquela pessoa, alvo da minha observaçao, para onde ela vai naquele momento e o que estara pensando enquanto aguarda na fila do supermercado, do ônibus ou na plataforma do metrô. Sei que é mal educado bisbilhotar, mas minha curiosidade é puramente, digamos, cientifica.
Em Sao Paulo, como estava sempre de carro, rarissimas vezes tinha a oportunidade de ouvir a conversa dos outros e seguir alguém na rua. Algumas vezes, ao longo do meu trajeto e quando estava a pé, encontrava uma figura perdida no meio da multidao e decidia, por um curto caminho, acompanha-la. Depois, seguia meu rumo.
Em Montreal, porém, tenho perseguido mais as pessoas. Com tempo livre e totalmente despreocupada de tudo, escolho alguém que julgo interessante e apuro os ouvidos para compartilhar secretamente de seus lamentos ou decido acompanha-la, silenciosamente.
Assim foi ha algumas semanas, quando segui um homem cujo estilo era no minimo ousado. Cara de mal, acessorios em couro, tatuagens, uma enrome sacola aparentemente pesada. Com ar desconfiado, serio e compenetrado, seu olhar inspirava hostilidade. Pensei: nossa, todo mundo com suas caras de felicidade ou tédio e esse sujeito parece estar de mal com o mundo.
Perto de nos, duas garotas olhavam indiscretamente para esse mesmo homem e nao escondiam sua curiosidade. Soltavam risadinhas, observavam e faziam comentarios como tipicas adolescentes. Ele percebeu e fechou ainda mais a cara. Finalmente, o trem chegou.
Esperei que ele escolhesse o vagao. Embarcamos. Nunca me aproximo muito e evito encarar, mas no final das contas acho que as pessoas sentem que estao sendo observadas. Ele virou para tras algumas vezes e me lançou aquele olhar de poucos amigos. Em nenhum momento me deu um sorriso, tao tipico das pessoas daqui.
Seguimos. Ao longo do trajeto, atenta para nao perdê-lo de vista, fiquei ali pensando se desembarcaria na minha estaçao ou se o seguiria ate o fim, quando o trem parou e ele, repentinamente, desceu apressado. Nao tive nem tempo de pensar e fui atras. Ele caminhava a passos largos, rapidamente. Tentei acompanha-lo, ele correu para nao perder o proximo metrô. Corri também.
Confortavelmente instalado numa daquelas cadeiras individuais do metrô, ele viu que eu me aproximava e abriu um sorriso, mas a porta se fechou no meu nariz. O homem com cara de bad boy continuou ali, sorrindo e me olhando enquanto o trem partia. Acho que no fundo sabia que eu o seguia e sentiu-se vitorioso por me deixar par tras, ganhar a corrida. Voltei frustrada para pegar meu metrô e encerrei, pelo menos naquele dia, minha funçao de detetive.
Ontem, porém, escolhi uma mulher. Estava numa grande loja de departamento andando à toa quando escuto uma jovem falando ao telefone meio escondida entre as araras de roupas. Falava um pouco alto, mas eu nao conseguia descobrir de onde vinha a voz. Caminhei mais um pouco até encontra-la. Fiquei por ali, fingindo entender tudo da coleçao outono-inverno e preparei os ouvidos. Ela, com seu tipico acento quebequense (aprendo muitas girias e me habituo ao sotaque daqui ouvindo os outros), parecia falar sobre seu aluguel, uma certa insatisfaçao com a inflexibilidade do proprietario, enfim, os mesmas queixas universais sobre aluguel, dificuldade de negociaçao, colocatarios chatérrimos (nem me fale!). "Finalement, j'étais surprise qu' il m' avait dit ça" (No final, fiquei surpresa que ele me disse isso - vai saber o que o proprietario disse), foram as ultimas frases que ouvi enquanto observava os preços exorbitantes dos modeloes outono-inverno.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Mini Floresta





Uma pequena floresta, com mais de 65 mil arvores, encravada no coraçao de Montreal. Assim é o parque du Mont Royal. Aberto ao publico desde 1876, esse imenso espaço verde foi concebido pelo arquiteto paisagista Frederick Law Olmestead, que ao projeta-lo preservou sua beleza natural. Uma verdadeira mistura de paisagem urbana e bucolica e um dos pontos privilegiados para se ver Montral do alto. Belissimo!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Viva a Internet!

Depois da Journée Bizarre, com seu silêncio, poucas palavras e uma certa nostalgia, eis que Claudia, amiga e ex-aluna de francês, me liga em casa. Rompi o mutismo e mais uma vez falei bastante português. Foi bem legal! Melhor ainda quando Claudia me sugeriu instalar o Skype para falar via net sem pagar nada. No mesmo instante baixei o progama e retomei a conversa com ela.
No começo, o bate-papo foi um pouco truncado por conta da minha dificuldade em lidar com a novidade (eu sei que tem gente que vai dizer que o Skype existe ha milhoes de anos!), mas depois a comunicaçao fluiu. Até ja chamei um monte de gente para fazer parte dessa comunidade. Por favor, nao me façam essa desfeita e aceitem o convite. Se quiserem me adicionar tambem, sera um prazer! E viva a Internet e a Claudia que me lembrou do Skype!!!!!

Journée Bizarre

Poucas palavras, muito silêncio e uma certa nostalgia.
Assim foi meu dia hoje.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Lingua Solta

Raras sao as vezes em que falo portugues por aqui. Escuto meus Cds de musica brasileira, leio as noticias da internet e escrevo nesse espaço, mas falar português de verdade, quase nunca. Mesmo nas aulas de ingles, onde ha mais quatro alunos brasileiros na sala, todos de Belo Horizonte, nos esforçamos sempre para falar o tempo em ingles. Hoje, porém, pela primeira vez, deixamos as linguas estrangeiras de lado no final da aula e falamos português. Na verdade, nao aguentei e perguntei se poderiamos falar em portugues somente hoje, pois estava cansada de pensar em ingles e frances o tempo todo.
Claro, a conversa nao somente fluiu como estendemos o bate-papo para um bar ali mesmo, no centro de Montreal. Para mim, foi uma felicidade, pois falei horrores em portugues, me expressei o quanto pude, dei minhas opinioes e pontos de vista sobre varios assuntos que tratamos ah mesa.
Vocês devem saber que mesmo quando dominamos outra lingua, expressar-se, manifestar as emoçoes, fazer todo um gestual, falar girias nem sempre é a mesma coisa em outro idioma. Para mim, é como o teclado desse laptop configurado para o francês do Canada, sempre falta ou nao sei onde esta um acento ou um sinal. Consigo me comunicar, mas nem sempre com toda a expressividade que gostaria. Entao, ja que hoje tive a chance, soltei a lingua, falei tudo o que tinha direito e voltei para casa feliz da vida simplesmente por falar português.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Morcegao Chatinho

Assisti a Batman e achei o morcegao um pouco chatinho. Tudo bem, houve momentos que nao consegui acompanhar os dialogos, porque diante de tanta informaçao e detalhes pirotecnicos, meu entendimento do francês se perdia no meio da avalanche de açoes e falas. A ressalva fica por conta do ator Heath Ledger, um dos protagonistas do filme O Segredo de Brokeback Mountain, encontrado morto recentemente. Sua atuaçao como o Coringa é realmente impecavel e em alguns momentos rouba a cena de Batman, interpretado por Christian Bale.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Morcegao

Amanha vou ao cinema com Marie, minha colocataria, e Hélène, sua amiga, a mesma que me ofereceu um dos pratos tipicos (nao me lembro o nome, désolée) do Quebec quando estive em sua casa assim que cheguei em Montreal.
O filme? Batman. Pois é, vou ver Batman! Nada contra o morcegao, mas quem me conhece sabe que jamais iria ao cinema ver esse tipo de filme. No entanto, como tudo tem sido uma experiencia por aqui, vamos la assuntar.
A sessao nao tera necessariamente pipoca, mas hamburguer antes do filme. Chegarei às 16h, faremos um lanche num lugar que, de acordo com Marie, faz um hamburguer inesquecivel. Pois é, vou comer hamburguer, algo raro para meu paladar conservador. Bom, melhor assim, pois o filme dura mais de 2 horas e como tenho fome a intervalos curtos, nada melhor que encher a pança com algo de peso.


Para Constar:
1 - Depois de um mês dividindo moradia com Marie, começamos a ajustar nossa convivência.
2 - Meu dedo esta colando e nao infeccionou nada. Viva!
3 - Emagreci dois kilos. Continuo comendo feito um dragao, pois sou do time que adora um PF. Tambem nao perdi o habito de carregar banana e outras frutas na bolsa para comer na rua ou em qualquer outro lugar, pois aqui nao tem essa de procurar um cantinho para comer. Mas, como ando muito pela cidade, inevitavelmente perco peso. Eu nao quero ficar magreeeelaaaa!
4 - Ah, quebrei so mais uma coisinha da Marie, um porta roupas daqueles de plastico para pendurar atras da porta. Foi coisa pequena, ja comprei outro e o instalei no seu devido lugar. Claro que quase entrei em pânico quando vi o negocio partido ao meio, principalmente porque minha colocataria o utilizava para pendurar um enfeite de boneca.
Talvez você se pergunte como é possivel quebrar um porta-roupas de plastico pendurado atras da porta. E eu lhe digo que sim, tudo é possivel quando você toma tanto cuidado para que nada aconteça e finalmente tudo despenca, queima, risca. O mais incrivel é que Marie nao se zangou. Isso nao é o maximo da nossa boa convivência? Ou sera que ela desistiu de me corrigir pensando que eu sou um caso perdido no trato com a casa? Nossa, so agora me dei conta dessa possibilidade!
5 - Um homem entrou no metro com uma iguana, animal mesmo, e nao uma espécie fêmea-humana como muitas que andam soltas pelo mundo. Para variar, nao aguentei e olhei meeeesssmo, enquanto os demais fizeram cara de picolé de chuchu embrulhado em pacotinho de cor bege. Oh bicho feio!

Trinta Dias

Trinta dias em Montreal. É o tempo que estou aqui. Passa muito rapido, especialmente quando vejo em retrospectiva e avalio as milhares de experiencias que vivenciei desde que me propus a esse projeto de viagem. Dificil saber até quando fico por essas bandas, mas para chegar aonde estou, muita coisa ficou para tras entre Sao Paulo e Montreal. Confesso que é um exercicio de desapego incrivel e ao mesmo tempo bem interessante, pelo menos por enquanto.
Do lado de ca, tudo novo: casa, pessoas, lugares, lingua, imagens, barulhos, sons, cheiros, luz.... Uma avalanche de novos codigos e registros que fatalmente invertem a ordem e fazem você mudar de postura, de lugar, de ponto de vista, de ritmo, de olhar. Esse movimento camaleônico é bacana porque varias vezes me coloca à prova e eu, sempre interessada em novas experiencias, vou la e me jogo; do meu jeito, ainda que timidamente. Dificil ficar indiferente a tudo isso, mas estou gostando, estou gostando bastante! Vamos ver o que me aguarda.

domingo, 24 de agosto de 2008

Bafo

Que caloooooooooooooooooorrrr!!!! Quem disse que aqui so tem neve? É uma bafo quente e umido que vocês nao podem imaginar.

sábado, 23 de agosto de 2008

A Ver Navios

Comentei em post anterior sobre minha vontade de fazer um cruzeiro por Montreal a bordo dos navios que oferecem esse serviço, no Vieux Port. Disse tambem que voltaria la outro dia e que desta vez nao hesitaria em pagar o bilhete e embarcar. Pois bem, ja fui la umas tres vezes, sendo uma delas hoje à tarde, depois de caminhar pelo Vieux Montreal. Nao so nao embarquei como, literalmente, fiquei a ver navios.
Inexperiente no mundo das navegaçoes, pensei que bastava pagar os 27 dolares e subir. Nunca imaginei que as pessoas se vestiam com traje de gala para andar de navio. Como faz calor e o clima, pelo menos na minha cabeça, inspira trajes mais leves e flutuantes, jamais calçaria sapatos de salto, roupas com brilho, maquiagem pesada e arrumaria o cabelo com direito a penteado. Afinal, para que servem cabelos ajeitados que mais parecem enfeite de bolo de casamento se o vento vai bagunçar tudo?
Pensei que o figurino fazia parte daquele dia em especial. Vai saber, talvez fosse uma festa, um evento fechado. Por isso, retornei ao porto hoje, mais uma vez, sempre em horarios diferentes e pronta para comprar meu bilhete, mas de sandalia papete, bermuda, camiseta sem manga e oculos escuros.
Em todas as ocasioes, as pessoas estavam super arrumadas e, desculpem o comentario maudoso, bem bregas tambem! Cada modelao medonho! Homens geralmente de terno preto (num calor de matar!) e as mulheres de longo tentando se equilibrar no salto ao balanço do navio. Dai que so dei tchauzinho para um marinheiro danado de bonitinho e fui embora, ate porque nem trouxe esse tipo de roupa do Brasil para ca. Mas nao desisti e vou la de novo perguntar se é obrigatorio esse estilo bailao. Depois conto os detalhes para voces.

Pointe-à-Callière


Marie chamou um casal de amigos para vir em casa a pretexto de instalar um ventilador na sala e aproveitou para convida-los para jantar no restaurante vietnamita, cuja excelencia gastronomica ja foi motivo de post nesse blog. O convite estendeu-se a mim tambem, mas como minha primeira experiencia na cozinha do Vietna nao foi das mais saborosas, inventei uma "desculpa" e sai pela tangente. Ok, sei que é chato recusar convite para jantar, mas nao queria tomar sopa de meia suja de novo! Eles sempre tomam sopa como entrada, mesmo que o calor seja infernal, a exemplo de hoje.
Assim que consegui escapar, segui para o centro velho de Montreal, aquele mesmo que parece um pedaço da Europa. O lugar é lindo, nao canso de repetir e visitar! Hoje, com o dia iluminado que fez por aqui, o Vieux Montreal estava repleto de gente e foi palco de um mercado inspirado em 1750. Alem de estar todo decorado conforme a epoca, com os vendedores tambem vestidos a carater, o mercado publico de Pointe-à-Callière teve nao somente legumes, mas principalmente degustaçao de produtos caracteristicos do seculo XVIII: frutas selvagens, queijos, salsichas de carneiro, cervejas, champignons, alem de apresentaçao de musica e teatro.
Ate fiquei sentada na pracinha escutando um cara grandao se apresentar. Algumas coisas entendi. Outras, acho que por conta da empolgaçao da interpretaçao, o ator engatou no seu sotaque quebecois e ai perdi o rumo da peça. Depois, caminhei por todas as ruelas e labirintos possiveis. Foram mais de quatro horas andando!!! Mas valeu a pena, foi bem legal!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Paisagens Humanas

Entrei no trem do metro e sentei-me numa daquelas cadeirinhas individuais, de frente para um rapaz que portava uma roupa tipicamente de veraneio: bermuda colorida, camiseta, boné e chinelos. Com o calor forte que fez hoje em Montreal, o metro é praticamente uma fornalha e muita, mas muita gente anda de chinelos de um lado para outro. O rapaz, para se refrecar, tira de sua grande mochila, largada no chao, uma garrafinha plastica com agua e se delicia matando a sede. Ate ai, sem problemas.
O inusitado fica por conta do que vem depois. Da mesma mochila de onde saiu a garrafinha d`agua, o jovem saca um par de meias pintadinhas de branco e sapatos pretos sociais. Pensei que ele queria arrumar suas coisas antes de desembarcar. Sentindo-se em casa, vestiu as meias com o pezao suado mesmo, calçou os sapatos e jogou os chinelos dentro da mochila. O modelao bermuda, camiseta, sapatos sociais pretos, meias de bolinha e boné nao ficou necessariamente à la mode, mas quer maior despojamento do que isso?
Ontem, outra cena tambem no metro. Adoro metro, nao somente pela praticidade de transporte, mas principalmente pela paisagem humana e as cenas cotidianas. Aguardava o trem e uma garota postou-se ao meu lado. Primeiro, tirou um lapis para arrumar o contorno das sobrancelhas. Nada como ganhar tempo e retocar a maquiagem enquanto se espera o trem.
Embarcamos e ela sentou-se ao meu lado. Pensa que o balanço do vagao a intimidou a seguir com sua maquiagem? Nada! Acho que ela faz isso todos os dias, por isso tamanha pratica. Sacou o kit maquiagem da bolsa e retocou tudo sem borrar nada! E sabe em quanto tempo ela se ajeitou toda? No intervalo de apenas duas estaçoes! A porta se abriu e la foi ela toda poderosa!
Quanto a mim, tento olhar discretamente para esses acontecimentos do dia a dia, mas tem hora que nao aguento e olho mesmo! Ah, como assim nao vou olhar! Olho tuuuuudoooo!!! É tao divertido e bacana observar as pessoas. Vai me dizer que voce faria como o pessoal daqui, que simplesmente nao olha (ou finge que nao olha) e faz aquela cara blasé? Às vezes, tenho a impressao de que qualquer um pode ficar peladao no vagao, fazer xixi na porta, baixar as calças e mostrar a bunda com o trem em movimento e ninguem esboçara a menor reaçao.
Nao consigo ficar assim tao gélida. Confesso que tem momentos que me controlo para nao puxar um papinho e perguntar para a moça como ela faz para nao ter uma maquiagem de palhaço com tanta trepidaçao do trem ou se o sujeito da meia nao se incomoda com o suor e possivelmente o chulé. Ainda nao criei coragem, mas um dia perco a timidez e lanço um questionario com todas as perguntas. Aguardem-me!

Tic, Tac

Gente, comprei um relogio por 10 dolares e ele ja quebrou. Nao durou nem um mes e o vidro trincou!!! Fico passada com essas coisas que acabam rapidinho. Depois dizem que a gente produz muito lixo. Claro, né?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vente de Trottoir

Tente imaginar uma mistura de Oscar Freire, com suas ruas largas e botiques de grife dispostas lado a lado, com as lojas do Bom Retiro ou da José Paulino, famosas por seu comércio fervilhante a preços bem populares. Para dar um pouco mais de colorido a essa babel arquitetonica, imagine tambem que nessas ruas amplas o clima é quase de quermesse, com araras de roupas, mesinhas com sapatos e eletroeletronicos expostos, carrinhos de pipoca, vendedores de pizza em pedaços. Assim estava o clima da rua Saint Hubert, centro comercial popular famoso pelas calçadas cobertas por uma estrutura de acrilico transparente que permite às pessoas transitarem seja qual for a estaçao do ano. Hoje, o comercio local inaugurou o que os quebequenses chamam por aqui de vente de trottoir ou, numa traduçao grosseira, venda na calçada. Literamente, os lojistas expoem suas mercadorias na calçada a preços imbativeis!
Animada com a possibilidade de fazer compras incriveis, passei por la e constatei que de cada 100 peças de roupas ou outro produto qualquer, a chance de voce encontrar pelo menos um, e somente um pé de meia razoavelmente bonitinho e de boa qualidade, é praticamente impossivel. Tudo é tao feio e de qualidade para la de duvidosa que nem mesmo o preço vantajoso me animou a ir as compras. Valeu apenas pelo passeio.

Humor Québecois


A despeito do inverno rigoroso e da teoria que o frio influencia diretamente o humor das pessoas, os quebequenses se consideram um povo simpatico e caloroso. Refiro-me sempre aos quebequenses de um modo particular porque eles mesmos fazem questao de marcar essa diferença em relaçao ao restante do Canada. Antes de mais nada, sao quebequenses e se orgulham disso, mesmo quando o assunto é o estado de espirito das pessoas que habitam esse imenso pedaço de gelo.
Ao andar pelas ruas, constato pessoalmente o bom humor e a disposiçao das pessoas. Pode ser a influencia do verao, mas o fato é que nas ruas, no metro, no comercio os quebequenses sao doceis e sorridentes. Basta olhar e geralmente eles retribuem com um sorriso. Claro, em todo lugar do mundo tem um espirito de porco mal humorado perdido por ai, caso contrario o planeta ja teria explodido se tudo fosse uma imensa bolha de gargalhadas o tempo todo! Sabe aquela alegria insuportavel? Pois é, nao da, né?
Ontem, no curto trajeto entre minha casa e o metro, recebi sorrisos e bonjour. Numa das situaçoes, uma velhinha caminhava pensativa quando, repentinamente, se virou (quase me matou de susto, porque ainda estou anestesiada pelo efeito supresa dos assaltos de Sao Paulo) e me perguntou: voce sabe que dia é hoje? Disse uma data qualquer sem ter muita certeza e ela, ao perceber minha hesitaçao, caiu numa gargalhada e seguiu seu caminho. Sei la se era humor ou loucura, mas ri também.
Em outra ocasiao, um senhor caminhava na plataforma do metro comendo, literalmente, um imenso pé de repolho. Segurava o repolhao com firmeza e mastigava com tanto prazer enquanto andava de um lado para outro esperando o trem. Acho que a fome era tao grande que ele resolveu atacar o repolho ali mesmo, comprado diretamente no mercado Jean Talon, a poucos metros da estaçao.
Tentei fazer aquela cara de naturalidade e desviar o olhar, quando me dei conta de que a mulher sentado ao meu lado nao so encarou o comedor de repolhos como soltou uma risada e me cutucou. Diante do bom humor, comentei: C`est très végétarien!!!! Ela nao perdeu a chance e emendou: On ne discute pas le gout des gens! Pois é, gosto nao se discute seja la onde voce estiver. O trem chegou, embarcamos, o senhor tomou seu lugar e seguiu devorando seu apetitoso repolho.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Direito de Passagem

Anos de condicionamento no transito de Sao Paulo me fizeram uma pessoa paranoica, seja como motorista ou pedestre. Ta bom, sei que é feio, mas em Sao Paulo, quando estava com pressa e atrasada, mal o farol abria e eu avançava o sinal com o carro. Na condiçao de pedestre, nao importava se o semaforo estava aberto para mim, olhava para os dois lados e ainda assim apertava o passo, temerosa de que algum louco no volante jogasse o carro em cima de mim.
Por aqui, no entanto, os carros sempre param, mesmo que o farol esteja fechado para voce. Os motoristas chegam ao ponto de abrir um sorriso, estender o braço e fazer um sinal para você passar.
Mesmo com tanta civilidade, confesso que somente agora, prestes a completar um mes em Montreal, ganho as ruas com confiança e atravesso os farois sem olhar, segura de que ninguem vai me atropelar.
No começo, cobra criada no aslfato que sou, encarava o motorista, esperava um pouquinho, mesmo que ele me oferecesse o direito de passagem (vai que o sujeito muda de idéia!), e ainda assim dava uma corridinha para alcançar o outro lado da calçada. Depois, ainda olhava para tras e fazia um aceno timido, num gesto de agradecimento por ato tao solidario.
Ah, e tem mais: todos os semaforos aqui têm indicaçao de quanto tempo resta ao pedestre para cruzar a rua. Sei que pode soar um tanto quanto sordido, mas agora entendo porque as pessoas vivem muito por aqui, ninguém morre atropelado.

Pai de Todos, Fura Bolo e Mata Piolho

Ontem, afirmei com convicçao que fazer faxina é uma atividade universal. Hoje, porém, volto atras e digo que na verdade duas sao as atividades universais, ambas diretamente ligadas: faxinao e preparar comida. Nao vou nem usar o termo cozinhar porque isso deixo a cargo do meu amigo Redneck, do blog por Uma Second Life Menos Ordinaria.
Simples mortais como eu, que rejeitam as tarefas domésticas e sao uma nuilidade na cozinha, apenas fazem comida para nao morrer de fome. Voce vai la, pega o panelao, prepara o pratao, come e depois volta a limpar tudo o que sujou. E assim vai, num ciclo vicioso que nao tem mais fim.
Dai que preparei meu almoço. Assim como os produtos de limpeza sao de uma competência inigualavel, também os utensilios domésticos o sao. Esqueça aquela faca Guinzo dos comerciais de TV do Brasil. As daqui sao afiadissimas e cortam pra valer.
Com essa informaçao em mente, escolhi logo a faca mais afiada da minha colocataria, no intuito de facilitar meu serviço. Quando ataquei as batatas duras e cruas senti, de repente, uma dor aguda e vi um corte profundo no polegar. Sangrou horrores e quase arranquei uma napa.
Suspeito que ainda preciso tomar pontos, a despeito de o sangramento e a dor terem cessado, mas minha amada colocataria disse que em poucos dias a tampa do meu polegar vai colar. Eu perguntei: tu penses que ça va coller mon doigt? Ela respondeu: Oui, oui, dans deux jours ça va coller. Bom, vou aguardar uns dois dias para ver o que acontece. Espero que até la meu dedo nao caia dentro de alguma panela de Marie, porque ai ela me bota pra fora de casa de vez!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Tudo de Bom!

É simplesmente tudo de bom emprestar Cds na Biblioteca Nacional! É tanta coisa disponivel, todos os sons e ritmos que me pergunto para que as pessoas daqui ainda compram Cds nas lojas.
Tudo bem, somente é permitido três Cds e Dvds de cada vez por um periodo maximo de três semanas, mas mesmo assim é bem legal. Mais para frente, pretendo também alugar filmes para assisti-los no laptop mesmo, ja que nao tenho aparelho de Dvd.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Espirito de Lavadeira

Você pensa que a vida é so bater perna, passear por ai e conhecer lugares novos? Que nada! Nao importa em que parte do planeta voce esteja, existe uma atividade universal conhecida como faxina. O nome pode variar um pouco dependendo do lugar: limpar a casa, faxinao, limpeza, faire le ménage, le nettoyage, etc... O objetivo, porem, é o mesmo: amarrar o lenço na cabeça, pegar na vassoura e sair louca pela casa limpando tudo.
Detesto atividades domésticas, mas como nao tinha escolha, incorporei o espirito de lavadeira. Tudo bem, o faxinao daqui nem se compara ao que estamos acostumadas no Brasil, mas lembrem-se que do lado de ca nao ha faxineira, diarista e domestica a preços abordaveis. Talvez por isso os produtos de limpeza funcionem divinamente! Tem para todos os gostos: rodinho, paninho, baldes de todos os tamanhos, vassouras, etc... Tudo para manter a casa um brinco e nos poupar de jogar o baldao de agua no chao, afinal, o piso daqui é de madeira.
Foi entao que acordei, peguei minhas roupas e coloquei na maquina de lavar (depois da net, acho que a maquina de lavar é uma das melhores invençoes do mundo!). Em seguida, uma hora na secadora.
Entre uma coisa e outra, preparei comida, arrumei e varri meu quarto, passei paninho na comoda, lavei, sequei e guardei as louças imediatamente (porque Marie, minha colocataria arrumadinha - desculpem, nao pude evitar o comentario -, nao gosta de nada em cima da pia). Terminei tudo a tempo de ir para o curso de ingles no final da tarde quando a chuva despencou. Sabe o que fiz? Dormi o sono dos justos ao som do barulhinho da chuva. Uma sonequinha basica, para recuperar o folego. Ai que vida dura!!

domingo, 17 de agosto de 2008

Quartier Latin




Ha mais de um mês nao ia ao cinema. Para uma frequentadora assidua como eu, 30 dias é um tempo consideravel. Foi entao que decidi ver um filme hoje à tarde, depois de bater perna no Plateau Mont Royal, o bairro descolado de Montreal, uma especie de Vila Madalena dos quebequenses. Depois, peguei o metro e desembarquei no bairro Quartier Latin, onde se situa um grande circuito de cinemas, a exemplo das salas multiplex que existem em Sao Paulo. O filme, um frances intitulado "Deux Jours à Tuer" (nao sei se esta em cartaz nas salas dai), nao foi necessariamente ruim, mas razoavelmente previsivel, a despeito de a critica te-lo recebido muito bem.
Bacana mesmo eh o Quartier Latin, bairro onde a burguesia francesa decidiu se instalar no inicio do seculo 19. Ao caminhar por suas ruas, rapidamente nos sentimos transportados para Paris, talvez para o mesmo Quartier Latin da capital francesa. Bares, restaurantes charmosos, bistrôs e cafés atraem um publico jovem e bastante animado, talvez por conta da Universidade do Quebec, tambem instalada na mesma regiao. Seja la o que for, o Quartier Latin eh conhecido por ser um bairro cuja atmosfera é trepidante! Ja deu para sentir o clima, nao?

sábado, 16 de agosto de 2008

Gay Parade

Ou cheguei tarde demais ou a parada gay de Montreal eh beeeeeem parada mesmo. Desci na estacao Beaudry, bairro gay da cidade, por volta das 18h30 e esperava uma multidao. Claro, nada parecido com Sao Paulo, pois aqui nao tem tanta gente assim, mas pelo menos um desfile, gente por todos os cantos, muitas fantasias, etc... Que nada! Sei la, de repente perdi o melhor da festa, mas quando cheguei, a parada gay parecia mais uma feirinha da Praça Benedito Calixto, com barraquinhas que ofereciam desde massagens e camisinhas a folhetos de protesto contra a homofobia. Gays e lésbicas de todas as raças e idades, familias, casados, solteiros, heterossexuais subiam e desciam a rua principal, ocupando os bares e cafes dos arredores. A parada gay de Montreal teve ate direito ah dança coreografada de um grupo de rapazes e uma moça que, com chapeu e bota de cowboys, davam pulinhos ritmados ao som de uma musica electro-country, se assim posso dizer. Infelizmente, ficarei devendo as imagens.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Porto



Dias atras conheci a parte antiga da cidade. Para quem me acompanha habitualmente nesse espaço, o Vieux Montréal, como é chamado, parece um pedacinho da Europa encravado no centro de Montreal. Um lugar realmente belissimo! Além da arquitetura de tirar o fôlego, é la que se encontra tambem o antigo porto, ou Vieux Port, que conheci hoje, aproveitando a sexta-feira de sol e calor.
Caminhando pelo cais, surpeendi-me com a organizaçao e o bom estado das estruturas do porto. Repleto de cafés e lojinhas que vendem de tudo, o Vieux Montreal tem um servico de cruzeiros que oferece passeios de cerca de 1h pela cidade. Quer coisa mais de turista do que isso? Sim, sim, e aqui entre nos, fiquei morrendo de vontade de subir naquele navio!. So nao fui porque cheguei em cima da hora. Mas, amanha volto la e, se o tempo ajudar, serei uma tipica turista em Montreal.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

CV


Finalmente terminei de traduzir meu CV e Marie me ajudou muito formatando-o segundo os padroes do Quebec. De um modo geral, os modelos daqui nao diferem muito dos que enviamos no Brasil.
A diferenca fica por conta da mençao, logo abaixo da apresentacao do candidato, das linguas estrangeiras faladas. Outra particularidade, eh que no final da pagina, alem de numera-las, inscreve-se tambem o nome completo da pessoa.
Sem falsa modestia, gostei da versao em frances do meu CV. Completo, visualmente atraente, no tamanho certo e sem exagerar no numero de paginas e informacoes. Marie aproveitou o embalo e mandou um email para o responsavel do Emploi Québec me solicitando uma entrevista. O Emploi Québec eh um orgao do governo que, entre outras coisas, reformula o CV de acordo com os cargos que o candidato pretende postular.
A partir do CV que tenho em maos, posso ter outras versoes para aplicar em atividades correlatas. Se tudo correr bem nessa parte, comeco a maratona de buscas em sites de emprego e, com sorte, entrevistas e testes. Desejem-me sorte!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Job

Adiei o quanto pude a traduçao e organizaçao do meu curriculum vitae. Pensei em começar a procurar trabalho somente em setembro, mas Marie me advertiu que seria interessante se meu CV ficasse pronto o quanto antes, mesmo que decida somente buscar emprego no inicio do proximo mês.
Segundo me explicou, com o reinicio das aulas e o fim das férias, todos voltam à rotina de trabalho e, justamente nesse momento, acontecem as contrataçoes. Com o curriculo pronto, resta-me a tarefa de pesquisar em sites de busca, marcar entrevistas e me preparar para essa experiencia que sera nova na minha bagagem de viagem.

Frigideira Riscada

Depois do episodio do galo queimado, hoje foi a vez da frigideira riscada. Sim, por mais que preste atençao, Marie eh tao excessivamente cuidadosa com suas coisinhas que nenhum esforco sera suficiente para manter a casa impecavel.
Pois bem, preparei frango grelhado para o almoco e devo ter passado o garfo ou sei la o que a ponto de riscar, levemente, o teflon (juro que nao foi nenhuma fissura!). Deixei a frigideira sobre o fogao porque ainda estava quente, mas Marie, que nao gosta de absolutamente nada fora do lugar ou que mude a decoracao que ela escolheu, guardou os filés e lavou a frigideira. Foi entao que viu os riscos, dois ou tres cravados no teflon.
Quando voltei do curso de ingles, minha colocataria era um misto de tristeza e decepçao. Perguntei por que aquela cara. Foi a palavra magica para que ela me mostrasse a frigideira. Nao me lembrava de ter feito nada errada e insiti dizendo que utilizei os utensilios de plastico (sim, acreditem, somente cozinhamos com conchas e escumadeiras de plastico, nada de metal, para nao riscar as panelas!). Meu argumento nao a convenceu. Claro, as fissuras estavam la, eu usei a frigideira. Portanto, minha culpa, minha maxima culpa.
Nao houve discussao nenhuma, nada de briga, porque sou razoavelmente equilibrada e jamais entraria numa disputa por causa de panelas, protetores de fogao ou talheres de plastico. Pedi desculpas dizendo que seria muito mais cuidadosa do que tenho sido. Confesso, porem, que fiquei um pouquinho chateada com o episodio. Sinceramente, espero que com o tempo Marie nao mostre os dentes, ou seja, deixe transparecer as manias, os apegos burros e as neuroses. Da minha parte, tenho me esforçado para manter um clima convivial.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Pedaco de Plastico

Pelo visto, os quebequenses adoram um pedaco de plastico. Em pouco mais de duas semanas em Montreal, ja tenho: cartao de credito, cartao do banco, cartao da assistencia social, cartao da assistencia medica, cartao da biblioteca, cartao telefonico e cartao do metro. Futuramente, se quiser, posso ter cartoes promocionais das lojas que oferecem brinde a medida que acumulamos pontos. Ter tantos cartoes tem la o seu lado pratico, mas a quantidade de numeros e codigos que tenho de inventar e lembrar eh um horror. Nem mesmo em Sao Paulo, onde nasci e sempre morei, tive tantos cartoes na minha vida. Et voilà, c' est ça la vie moderne!

Galo Queimado - Parte 2

Ainda ontem escrevi um post sobre os protetores de fogao com motivos de galo que deixei queimar. Pensei que Marie havia superado o trauma, mas hoje, assim que cheguei em casa, as primeiras palavras foram: comprei novos protetores de fogao para substituir aqueles que voce queimou (so estraguei um e foi sem querer). Ela comprou exatamente os mesmos galinhos. Gosto duvidoso, mas como nao estou em condicoes de emitir opiniao nenhuma, optei pelo silencio.

Le Village




















Hoje andei feito cachorra sem dono pela cidade. Depois de buscar meu cartao de credito no banco e fazer minha inscricao na Biblioteca Nacional, decidi conhecer o bairro gay de Montreal ou simplesmente Le Village, como eh chamado. Situado na parte central da rua Sainte-Catherine, entre as estacoes de metro Berri-UQAM, Beaudry e Papineau, o bairro gay eh considerado um dos maiores do mundo em superficie.
Inicialmente pobre, a regiao foi progressivamente ocupada por gays e lesbicas depois da expulsao do comercio gay dos arredores do centro da cidade. Desde entao, foi renovada gracas aos recentes investimentos de certos partidos do governo.
De fato, ao andar por algumas de suas ruas, o que se ve eh um bairro animado (e olha que o visitei no final da tarde), colorido por suas bandeiras de arco-iris, repleto de bares, cafes e restaurantes de diversas nacionalidades. A clientela eh predominantemente masculina, mas nao menos multicultural. Na extensa e larga rua principal, fechada ah circulacao de carros, pessoas andam de um lado para outro, curiosas para conhecer mais um dos pontos turisticos de Montreal.


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Galo Queimado

Queimei o protetor de chapa do fogao de Marie. Os fogoes daqui sao eletricos e para cozinhar eh preciso esperar a chapa esquentar. Pois bem, acendi sem querer a chapa errada e esqueci de tirar o protetor que tambem funciona como um enfeite, todo pintado com motivos de galo. De repente, um cheiro ruim invadiu a casa. Como nao vi fogo em lugar algum, apenas o calor da chapa, acho que demorei para me dar conta de que estava fervendo.
Resultado: o protetor com desenho de galo que Marie simplesmente A-DO-RA ficou preto como galo de macumba. Alias, Marie ama tudo o que tem galo. Vai entender. Achei que ela faria um escandalo, pois eh bem apegada as suas coisas. Fiquei tensa e assim que ela voltou do trabalho, engatei: "Marie, fiz uma besteira, seu galo do fogao morreu queimado. Aparentemente, ela reagiu bem, dizendo que acidentes acontecem.
Para piorar, o antigo colocatario tambem havia esquecido a chapa ligada e tome mais galo preto!Agora, o fogao de Marie tem dois galos pretos e dois brancos, ou seja, um galinheiro bem democratico. Sei la se Marie aceitou mesmo ter dois galos pretos sobre seu fogao, pois dias depois do episodio, aproveitou outro acontecimento (desta vez a culpa nao foi minha, juro!) para dizer que ficava brava quando nao cuidavam das coisas dela. Eu, pelo menos, entendi o recado. Vou logo, logo procurar uma lembrancinha para ela com motivo de galo, desta vez, pardo.

Inglês x Francês

Voltar a estudar ingles foi uma das coisas que decidi fazer quando chegasse no Canada na condicao de residente permanente. Ao contrario do frances, em que o governo paga o aprendizado da lingua para aqueles que optaram viver na provincia do Quebec, com o intuito de manter e aumentar o numero de falantes, o ingles deve ser pago pelo recem-chegado.
O fato eh que Montreal eh efetivamente um lugar bilingue, tendo a leste os francofonos, e a oeste, os anglofonos. Moro exatamente do lado leste da cidade e, portanto, o frances predomina em todos os cantos do bairro. Meu contato com o ingles eh restrito, para nao dizer nulo, mas mesmo assim decidi tentar recupera-lo.
Foi entao que escolhi uma escola indicada pelos quebequenses: College LaSalle International. Situado no centro da cidade (predominantemente ingles), entre as estacoes Atwater e Guy La Concorde do metro, o Colegio LaSalle oferece cursos de ingles e tambem frances. Para quem conhece um pouco o idioma, o procedimento eh igual a todas as escolas de lingua estrangeira. Faz-se um teste e a partir da classificacao decide-se em que nivel o aluno ficara. Normalmente, as salas sao pequenas, compostas de 8 a 10 alunos.
Fiz minha avaliacao e fiquei no nivel 7. Nada mal, considerando-se que o curso tem 10 estagios ao todo e ha tempos nao falo ingles. Escolhi ter aulas duas vezes por semana, 2 horas por dia. O curso comecou hoje e vai ate outubro. O valor nao eh nada exorbitante para os padroes daqui, algo em torno de 270 dolares canadenses, incluindo taxas e materiais. Existe a opcao do curso intensivo, ou seja, o dia inteiro, cinco vezes por semana. Puxado, mas funciona, especialmente para quem pretende frequentar a universidade.
Estava pronta para fazer minha matricula quando o coordenador me informou que provavelmente nao poderia me incluir na turma que comecou hoje. Disse que a sala estava no seu limite, mas daria um jeitinho de me encaixar. Caso contrario, vagas somente no ano que vem. Visto que ele abriu uma brecha e utilizou o velho jeitinho brasileiro, nao perdi tempo e enfatizei o quanto estava muito interessada em ter aulas hoje mesmo.
O bom moco saiu da sala e voltou segundos depois, com um sorriso no rosto dizendo que estava com sorte. Et voila, fiz minha matricula. Coincidentemente, minha sala tem mais quatro brasileiros e os demais estudantes sao francofonos. A chance de falar portugues e frances o tempo todo eh muito grande, mas vamos ver como me arranjo.

domingo, 10 de agosto de 2008

Montreal Européia





















Hoje conheci le Vieux Montréal (Old Montreal). Iluminado, charmoso e elegante com seus bares, cafes e restaurantes. Um pedacinho da Europa e especialmente da Franca localizado no centro da cidade.

sábado, 9 de agosto de 2008

Presente de Marie

Ganhei meu primeiro presente desde que cheguei em Montreal, ha pouco mais de 15 dias: um mouse (ou une souris, em frances) sem fio para acoplar ao laptop. O mimo me foi dado por Marie, minha colocataria.