quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2008 - 2009

Minha passagem de 2008 para 2009 não terá nada de espetacular. Além do frio que faz por aqui hoje, algo em torno de - 14 graus e sensação térmica de - 20 graus, tive um dia como outro qualquer. Aliás, nesse exato momento, escrevo do meu trabalho. Sim, não houve folga e o expediente foi normal. Posso estar enganada, mas o clima nas ruas de Montreal não é de muita festa.
Pelo que entendi, os quebequenses são bem apegados à família e todo tipo de comemoração acontece no ambiente familiar. Quando um quebequense me perguntou como nós, brasileiros, damos as boas-vindas ao novo ano, respondi que a grande maioria viaja para a praia. Ele me olhou surpreso e comentou: nossa, que louco isso!
Enfim, daqui a pouco termino minha jornada de trabalho e devo voltar para casa. Ginette, minha locataria, receberá algumas pessoas para o jantar (ainda não me acostumei, mas eles jantam por volta das 17h ou 18h) a fim de celebrar a chegada do ano novo. Fui convidada e devo participar da festa, mas depois e apesar do frio, pretendo ir para o Vieux Montreal, onde fica o porto.
Parece que havera uma série de atividades por la e uma queima de fogos. Por conta do frio, não sei se suportarei ficar muito tempo na rua e, pelo que observei, o metrô não deve ter uma esquema especial de funcionamento. Assim, se conseguir ficar até meia-noite para ver a queima de fogos, terei de correr logo em seguida para pegar o último trem, às 0h30. Vamos ver também se o clima será animado e se valerá mesmo a pena ficar até mais tarde.
Para os que estão na praia curtindo as chuvas de verão e o calor, aproveitem para pular as sete ondinhas, virar bife à milanesa de tanto rolar na area, se esbaldar na orgia gastronômica que costuma ser nessa época do ano no Brasil ou compartilhar, literalmente, do calor humano do público que passará a virada na Avenida Paulista.
Aos amigos queridos, curiosos e todos os que passaram por esse blog e acompanharam esta Voyageuse em 2008, votos sinceros de um ano novo incrível! Espero vocês em 2009. Beijo e até breve.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Guia Pratico - 20 Perguntas Mais Frequentes

No começo é divertido e tudo parece ser um bom pretexto para conhecer o outro e integrar-se. Com o passar do tempo, a repeticao das mesmas perguntas tornam o dialogo um tanto quanto enfadonho e praticamente nao oferecem grandes possibilidades de respostas verdadeiramente interessantes, que avancem para uma conversa mais instigante. Em muitos casos, prevalece a frase pronta e o automatismo das palavras.
Por tras desse bate-papo simpatico envolto por uma aparente curiosidade pelo outro, nao raro sentir uma pitada amarga de preconceito. Felizmente, nao sao todos, mas é interessante perceber que além das descobertas bacanas que fazemos numa viagem, ha também o lado B. É preciso ter tolerancia e altivez para lidar com situacoes do gênero.
Abaixo, um guia pratico com as 20 perguntas mais frequentes dos nativos para os estrangeiros. Claro, ha algumas particularidades, mas no geral o roteiro nao muda muito. Perdoem-me o tom um tanto quanto irônico, mas precisava disso hoje; para desopilar e recuperar o humor, pois nem sempre é facil ouvir algumas coisas.


1) De onde você é?

2) Ha quanto tempo esta aqui?

3) Quanto tempo pretende ficar?

4) Mas você é chinesa? (sou neta de japoneses, mas todos pensam que sou chinesa)

5) Você fala espanhol? (quase ninguém sabe que falamos português)

6) Entao você fala espanhol, francês e japonês (nao, infelizmente nao falo japonês e aprendi espanhol na escola)

7) Mas por que sua familia foi parar no Brasil? (entao, 100 anos de imigracao, colonia japonesa, bairro da liberdade, sushi, sashimi, arigatô, bonsai, ofurô...)

8) O que você faz? (todos querem saber se você trabalha)

9) Você ja conheceu, encontrou ou arrumou um quebequense? (no fundo, acho que ainda prevalece a ideia de que toda estrangeira, especialmente a brasileira, busca um marido para se dar bem na vida)

10) Onde você mora?

11) Onde você aprendeu francês?

12) Você gosta de Montreal? A cidade é linda, ne? (praticamente todo quebequense tem amor e orgulho de sua cidade)

13) Você ja se acostumou com o frio? (se você falar que nunca viu neve, prepare-se, porque o assunto vai render)

14) Na sua cidade vocês montam arvore de natal e trocam presentes? (sim, ja me perguntaram isso e nao foi de brincadeira)

15) Você conhece luvas termicas, existe isso na sua cidade? (aquelas para segurar panelas quente. Claro que respondi nao, nunca tinha visto nada igual na minha vida)

16)Você mora no Rio de Janeiro? (Pois é, o Rio de Janeiro continua lindo! O Rio de Janeiro, Fevereiro e Março!)

17) Você dança samba ou salsa? (tudo a ver samba com salsa, ne? E sim, sou passista da Mangueira, madrinha da Vai-Vai, sou Corinthiana e amo Ronaldinho)

18) Buenos Aires é a capital do Brasil? (Por supuesto, Buenos Aires es la capital y Astor Piazolla nuestro presidente)

19) Você conhece o Amazonas? (Sim, sou de Sao Paulo e passo todas as férias no campo/floresta amazônica)

20) Quem fala português consegue se comunicar bem em espannhol, ne? Alias, quando você sabe uma lingua de origem latina, todas as outras (italiano, espanhol, frances, portugues, etc..) sao mais faceis de aprender, você nao acha? (Ah, claro! Facilimo!)

domingo, 28 de dezembro de 2008

Natal em NY

Depois de uma breve ausência para comemorar as festas natalinas, estou de volta. Foram 10 dias em Nova York, pouco tempo para conhecer tanta coisa e ver tudo o que a cidade oferece. Fez frio e em alguns dias nao foi possivel passar muito tempo na rua. Mas andei bastante e como toda turista que se preze, conheci o Central Park, Chinatown, Little Italy, Times Square, Broadway, 5 Avenida, Metropolitan Museum, Soho, Village, NYU e varios outros lugares. Tive tempo também para ver um musical da Broadway, um show de jazz e um espetaculo de dança do Alvin Ailey além, é claro, rever a Ale para colocar a fofoca quase em dia. Em Nova York também completei 5 meses de Montreal, no ultimo dia 25 de dezembro. Confesso que nesses poucos dias longe daqui, senti saudades. Vai entender. Nas fotos a seguir, imagens de alguns dos lugares que visitei. Infelizmente, nao fotografei tudo, pois em alguns dias meus dedos quase congelaram por conta do frio e nao consegui tirar fotos com luvas.

Happy Holidays




sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Nova York e Montreal

Ontem, visitei o Central Park. Fazia um dia bonito, iluminado como se fosse outono. Estava frio, mas para os padroes quebequenses de temperatura e pressao, o inverno de Nova York, pelo menos por equanto, nao é nada comparado à Montreal. Andei bastante pela quinta avenida e fiquei surpresa com a quantidade de gente na rua, carros e transito.
Em NY, assim como em Sao Paulo, os carros nao param todas às vezes que o pedestre atravessa a rua. O mesmo ocorre com os passantes. Eles invadem as avenidas e cortam os carros. Em Montreal, se fizermos o mesmo, somos multados. Sim, transgredimos a lei, mas nao o fazemos quando estamos nas avenidas mais movimentadas e onde pode haver um guarda à espreita. O mesmo vale para os carros e bicicletas. Todos devem parar para as pessoas atravessarem.
Fazia tempo que nao via tanto burburinho, pois em Montreal a vida parece ser bem mais tranquila. Claro, a cidade é infinitamente menor e soma cerca de 3 milhoes de habitantes. Nao é nada perto do caldeirao cultural de NY. Gostei muito de estar de volta à muvuca, afinal, ja disse que faço parte do time que gosta de ver o circo pegar fogo. Alias, é incrivel a quantidade de latinos espalhados por aqui. Sabia que em NY havia muitos, mas nao imaginei que fossem tantos. O espanhol prospera em todos os cantos da cidade e se voce nao domina muito bem o ingles, nao tem problema, porque alguem vem ao seu socorro falando em espanhol.
Em Montreal tambem existe essa diversidade cultural e ha muitos falantes de espanhol, especialmente mexicanos. No entanto, creio que por ser uma cidade menor, tenho a impressao de que a concentracao de latinos tambem e menos densa. Hoje, como neva em NY, pretendo visitar o Metropolitan Museum. Mais à noite, eu, Marlene (uma amiga de Alessandra) e a Ale,vamos ver um show de jazz no hotel Kitano. Vimos o lugar pela internet e parece ser bem bacana. Infelizmente, ficarei devendo a publicacao das fotos, pois esqueci o cabo da maquina em Montreal. Mas estou registrando tudo e depois farei uma selecao especial das imagens nesse blog.

Pousada da Ale

Minha amiga Alessandra nao é somente uma excelente anfitria. Além de me receber com toda a atencao em sua casa, preparou uma surpresa: deu-me de presente de Natal o ingresso para ver o musical South Pacific, no Lincoln Center Theater, cujo ator principal é um brasileiro que recebeu um ou varios premios por aqui.
Ontem, estavamos na fila para pegar nossos ingressos e perguntei para Ale quanto deveria paga-la. Quando ia sacar a carteira, ela me disse: nao precisa me pagar nada, é o seu presente de Natal. Insisti, e Ale fez aquela cara de ué, nao to escutando nada do que voce diz. Ale, obrigada. Adorei!
Além do presentinho, todos os dias, no café da manha, tomei café brasileiro. Hoje, comi bolacha Piraque com requeijao Mimoso! Na casa da Ale tem tudo, inclusive aqueles molhos de pimenta de arrancar o couro, bolacha Bono de chocolate (viu, Flavia?), feijao... Dizem que a casa da Ale é chamada de Pousada da Ale. Eu concordo plenamente.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Cheguei

Tudo tranquilo por aqui. A viagem foi longa, mas deu tudo certo. Daqui a pouco vou sair para bater perna e mais à noite eu e Ale iremos ver um musical da Broadway. Depois conto detalhes.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

So Hard

Hoje fiz o teste de nivel de ingles da Universidade Mcgill. Havia comentado em post anterior que a tal prova seria na sexta-feira passada, mas me confundi e percebi tarde demais que a avaliacao ja tinha acontecido na quarta-feira. Fiz tudo com antecedencia como deve ser por aqui, mas vai entender por que gravei na minha memoria a sexta-feira.
Quase entrei em estado de choque, pois se você perde alguma data, somente tera nova chance meses depois. Mas, felizmente, havia um segundo teste. Remarquei meu horario e la fui eu para uma prova que começou às 18h30 e terminou às 20h30. Duas horas de teste de nivel!!!! Além de longa e cansativa, a prova foi dificil. Alias, nunca vi nada tao hard, parecia vestibular. Acho que fiquei no nivel basico-quase-parando-1.

Siga em Frente!

Malas prontas. Amanha acordo cedinho e devo chegar na estacao central por volta das 8h30. O trem parte às 9h30, mas como os assentos nao sao marcados, foi-me recomendado chegar cedo para garantir o lugar.
Alessandra (minha amiga que me recebera em NY) e eu trocamos emails ao longo dessa semana e combinamos que ela vai me esperar na area de desembarque da Penn Station. Inicialmente, propos-me ligar para seu celular quando chegasse e ela me encontraria onde estivesse.
Como me perco facilmente e ambas se confundem um pouco, acertamos que Ale nao arredara pé da area de desembarque. Falei para ela que é melhor apenas uma pessoa rodar feito barata tonta do que duas ao mesmo tempo.
Tambem expliquei que se tiver de sair, arrumar um lugar para trocar meu dinheiro por moedas, procurar um orelhao, conseguir ligar e depois explicar onde estou num lugar que desconheço, so nessa caminhada ja teria voltado a pé para Montreal. Mas acho que nao vai ter erro, uma hora a gente se encontra. Caso me perca, sempre coloco em pratica meu lema: na duvida, siga em frente!
Nesses dias de ausência, talvez deixe de publicar os posts. Volto em 28/12. Aos que aqui passarem, desejo Boas Festas!

Projeto Quebec-Guatemala

Foto do prédio onde fica o escritorio do Projeto de Acompanhamento Quebec - Guatemala, organizaçao nao-governamental que presta varios serviços ao povo guatemalteco, entre os quais o acompanhamento internacional. O objetivo desse acompanhamento é o de garantir uma presença estrangeira neutra em alguns territorios da Guatemala a fim de assegurar mais segurança à comunidade, às pessoas ou organizaçoes em situaçao de risco.
Hoje tive um encontro com uma das responsaveis pelo projeto e devo iniciar algum trabalho voluntario. Interessei-me particularmente pela realizacao, revisao e traduçao do jornal bimestral que a entidade mantém, a Revue de l'Actualité. Depois do Natal devemos retomar contato, mas tudo indica que nao havera restricoes para desenvolver essa atividade.

Para Redneck

Em retribuiçao ao meu amigo Redneck - do blog Por uma Second Life Menos Ordinaria - que me homenageou com um clip do Queen, ai vai mais um pinguim para a sua coleçao. Espero que goste, pois tirei essa foto numa temperatura de -14 graus C e meus dedos quase congelaram.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Din, Din

Hoje comprei os dolares americanos para a viagem. Agora, so falta mesmo arrumar as malas. A cotaçao aqui esta: 1,26 dolar canadense para 1 dolar americano. Ate que nao foi tao caro assim.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Papai Noel Adiantado

Papai Noel passou mais cedo para mim esse ano. Ganhei de Laila, minha amiga brasileira que me hospedou por aqui quando cheguei, um kit com xampu, creme, oleo e outras coisinhas para manter a forma, porque com o frio de matar que tem feito, so mesmo com muito creme no rosto para nao virar um boneco de neve.
Quando cheguei da casa de Laila, dei de cara com uma sacolinha de presente pendurada na porta do meu quarto. Ginette, minha locataria, aproveitou minha saida para me fazer uma surpresa: comprou-me um hiper-mega creme para pele seca.
Gente, sera que eu estou com a pele tao ruim assim, parecendo um maracuja velho, para ganhar tantos hidratantes? Bom, ja que o clima é de natal, também me dei um presentinho. Comprei uma boina muito mais para fazer graça, pois descobri que nao esquenta a cabeça e muito menos cobre as orelhas.

Elas Existem De Verdade


Quem disse que as renas de papai noel nao existem de verdade? Pelo menos aqui no Canada, onde o clima é mais propicio para a sobrevivência desses bichinhos, é possivel sim, encontra-las até mesmo no shopping, preparando-se para pegar no pesado enquanto o Natal nao chega.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

La Poutine

Desde que cheguei aqui ouço dizer que a poutine é o prato tipico do Quebec. Cheios de agua na boca, os montrealeses nao hesitam em perguntar aos que chegam se tivemos a oportunidade de experimentar essa iguaria. Ha até lugares tradicionais que oferecem o prato, e um deles se chama La Banquise. Um pequeno restaurante, ar descontraido, mas que ha anos prepara a especialidade.
Sabia desde o incio que a poutine classica consistia num prato razoavelmente grande repleto de batata frita, mergulhada num molho (cujo sabor e tempero desconheço até agora) e coberta por pequenos pedaços de queijo branco. Outras versoes, com as mais variadas coberturas, surgiram depois, pelo menos no La Banquise. A receita é, portanto, bastante gordurosa e ideal para elevar o nivel de colesterol.
Como nao sou muito fa de pratos dessa potência calorica e muito menos uma fissurada por experimentar a gastronomia mundial, meu paladar nao deu muita bola. Mas hoje, finalmente, surgiu um convite para experimentar a poutine pela primeira vez e justamente no La Banquise. Pensei ca com os meus botoes: o prato nao me parece muito apetitoso, mas fala-se tanto da Banquise e sua especialidade que o negocio deve ser quase afrodisiaco.
Partimos todos; eu, Eduardo, Nagib, Denis e Adam (gente, adoro meninos!) para o tal restaurante, apesar do frio de quebrar os ossos e a dificuldade em andar pelas calçadas cobertas de neve e escorregadias. Para nao ter erro, escolhi a versao classica: batata frita embebida em molho e com cubos de queijo.
Nossos pratos gigantes nao demoraram a chegar e eu, a cada batata frita, esperava o momento de sentir quase um frissom por experimentar algo tao especial. Minha barriga foi-se enchendo e nada de lamber os beiços e os dedos de tanta delicia. Pouco antes de chegar na metade do prato, ja nao aguentava engolir mais nada.
Para piorar, tanto meu estômago e minha consciência começaram a pesar. Cada palito de batata ensopada no molho e com cubinhos de queijo derretidos grudados representava uma bomba calorica. Chegou um momento que simplesmente nao conseguia mais comer e passei o restante do meu prato para Eduardo.
Nagib foi o unico que pediu o classico hamburguer com batata frita simples, pois ja tivera a oportunidade de experimentar a poutine. Tipico frances que carrega na veia a tradiçao da gastronomia francesa, nao hesitou em me perguntar, escondendo um sorriso irônico no canto da boca: entao, o que você achou do prato tipico do Quebec, essa mistura de fritas incrementada com um molho cuja mistura a gente nao consegue identificar?
Ironias à parte, numa coisa concordo com Nagib: a poutine nada mais é do que o classico do junk food norte-americano. Depois de encarar um prato enorme, a sensaçao que se tem é de ter engolido um javali vivo e a certeza de que você ganhou alguns quilos, pelo menos é assim que me sinto agora. Nao foi uma experiência gastronômica inesquecivel.

Mais Neve

Na sequência, imagem da dificuldade que é ter carro em Montreal no inverno. Fotos também do portao da casa onde moro, da arvore congelada do meu jardim e da rua que da acesso à principal avenida do bairro, além da vista do estacionamento do local onde trabalho.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Voyage, Voyage


Para entrar no clima de viagem, musiquinha trash: Voyage, Voyage - Desireless

Maria Fumaça, Shakespeare e Bla, Bla, Bla...

Agora vai! Hoje comprei a passagem de trem para Nova York. A Maria fumaça sai de Montreal na manha de 17/12 e chega à noite. Passo uns 10 dias com Ale e retorno em 28/12. Estou animadissima, porque tenho para mim que uma viagem so se materializa quando você compra as passagens. No Ano Novo, estarei em Montreal. Disseram-me que acontecem varias festas e muita animaçao por aqui para festejar a passagem do ano, mesmo com o frio. Quero ver o que os quebequenses consideram como animaçao.
No mais, amanha farei um teste de nivel de ingles na Univesidade McGill. A prova começa às 18h30 e termina às 20h45! Nunca vi nada tao longo, especialmente por se tratar de uma avaliaçao de nivel. Como a McGill é reconhecida pelo seu curso (e nao tem nada a ver com aquele cursinho The Book Is On The Table que fiz logo quando desembarquei em Montreal), vai ver o rigor começa antes mesmo de os alunos aprenderem o idioma.
Assumi um compromisso-desafio comigo mesma que terei, de uma vez por todas, um inglês impecavel. Claro que o aprendizado de uma lingua é uma constante, mas decidi que até o primeiro semestre do ano que vem o avanço dos meus conhecimentos de inglês tem de ser notorio, visivel. Chega dessa historia de ingles nivel meia boca/intermediario/avançado 72! Shakespeare, se liga, hein!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Para Espantar A Neve E Aquecer O Esqueleto


Va Morar com o Diabo - Cassia Eller

Mais Do Que Um Dedo De Prosa

Hoje conversei com um coleguinha do trabalho por mais de 5 minutos, do trajeto entre o elevador e o metro. Tudo bem que ele andava meio rapido e na minha frente e eu nao consegui acompanhar direito seus passos, mas fiquei contente em entabular uma conversa que rendeu até o momento em que pegamos direçoes diferentes no metro. Acho que nos falamos bem uns 10 minutos! Foi mais do que um dedo de prosa, interagimos! É um recorde para quem so escuta dizer, com um pouco de esforço: Bonjour, ça va?

Em post anterior, comentei que nao sou a rainha da extroversao, especialmente com gente que nao conheço. Mas disse também que no quesito boas-vindas, integraçao de um novo funcionario e politica da boa vizinhança, meus colegas de trabalho precisavam fazer algum tipo de formaçao. Alias, essa questao do contato, da aproximacao e a curiosidade em relacao ao outro é um aspecto interessante por aqui. Embora cordatos e educados na maneira de ser, os quebequenses sao mais frios e distantes. Com a chegada do inverno, entao, tenho a impressao de que se fecham mais ainda, como se cada um estivesse preso à sua bola de neve.

Mulher Escavadeira











Ha varios tipos de mulheres: a rendeira, a lavadeira, a empacotadeira, a caloteira e, a escavadeira. Sim, hoje tive minha primeira experiência como mulher escavadeira. Como desde ontem neva em Montreal e moramos numa casa cujos fundos tem um quintal, o acumulo de neve nos impede de sair para a rua. Entao, eu e Ginette, minha locataria, combinamos que nos revezaremos no momento de abrir caminho entre a porta de casa e o portao.
A primeira tentativa nao fui horrivel, mas duvido que uma pessoa em estado normal de temperatura e pressao considere a escavavaçao uma de suas atividades prediletas. Digo que nao foi algo tao ruim assim por se tratar da minha primeira vez e, por incrivel que parece, para os quebequenses essa quantidade de neve nao é tao grande assim. À medida que o inverno avançar, tenho certeza que vou amaldiçoar cada floco de neve, os fabricantes de pa (sim, todo mundo tem um pa enorme, seja em casa ou dentro do carro) e quem mais se atrever. Vocês entendem agora por que, nos filmes de suspense, o vilao mata o outro personagem com um golpe de pa como esta da foto?
Bom, o caminho que consegui cavar ate o portao principal nao ficou perfeito. Marinheira de primeira viagem que sou - ou melhor, escavadeira de primeira viagem que sou -, e nada acostumada a pegar no pesado e a encarar uma pa, confesso que a trilha ficou um pouco torta. A neve em si nao é tao complicada de ser retirada, exceto quando se forma uma fina camada de gelo. Nesses casos, você precisa escavar o chao com vontade e ter uma certa habilidade para sustentar o peso e se equilibrar, sob o risco de dar com a bunda no chao. É bem liso.
Nas ruas, entao, é um horror! Nao cheguei a cair, mas dei umas derrapadas hoje. Todo mundo anda mais devagar. Alias, a cidade fica mais devagar em tudo. Como o gelo derrete e se mistura com a sujeira das ruas, o que se vê é uma espécie de pasta marrom, bem nojenta e escorregadia.
Pensei em Sao Paulo em circusntâncias semelhantes. A cidade, seguramente, desapareceria do mapa. So para ligar o carro, pegar a pa, a escovinha, tirar o gelo que se acumula nos vidros ou escavar as laterais do carro para retirar a neve e abrir a porta do carro, ja teriamos surtado ou caido morto de nervosismo no meio da avenida Paulista. Neve, defintivamente, nao é para um lugar onde as pessoas têm pressa.
Nas fotos publicadas nesse post, destaque para a super-mega pa de Ginette, o caminho tortuoso que tentei escavar e a montanha de neve que se formou nas laterais do quintal. Vale lembrar também que hoje escavei somente a parte de tras da casa, mas tenho certeza que se continuar nesse ritmo, Ginette vai me pedir para dar uma força na parte da frente, pois sem escavar nao ha condicoes de colocar o lixo reciclavel para fora. Alias, eis mais uma das tarefas domésticas que compartilho com ela. Agora, reclame que sua secretaria do lar nao faz a limpeza direito e quer sempre aumento de salario. Dona Celiaaaaa, te amooooo!!!!!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Salto Para A Morte

Pode ser o frio e a chegada do Natal. Ha quem aposte nesses dois fatores para explicar os casos de pessoas que se jogam da plataforma do metrô nessa epoca do ano. Para evitar o pânico, é provavel que muitos casos sejam acobertados, mas o fato é que nao raro as linhas do metrô de Montreal sao paralisadas por conta de "pane no sistema", segundo informa o condutor do trem por meio do alto-falante.
Ainda hoje, estava no metro e recebemos o aviso de que a linha laranja, onde esta localizada a estaçao Berri-Uqam, que conecta o centro aos demais bairros da cidade, seria paralisada por pelo menos 50 minutos. Ambulâncias se deslocaram para uma das estaçoes onde ocorreu o incidente e os policias do metrô rapidamente se organizaram para indicar as melhores rotas aos passageiros. Nao sei se foi mais um suicidio, mas tudo leva a crer que sim.
Na semana passada, outro caso relatado por uma colega que viu um homem ao seu lado saltar para a morte quando o trem se aproximava. Segundo minha amiga Nathalie, que trabalha para uma fundaçao de doenças mentais, o Canada e a Russia, entre os que me recordo agora, sao os paises em destaque quando se refere a esse disturbio. Entenda-se por doenças mentais nao somente os casos graves, mas problemas aparentemente simples, como uma leve depressao, que pode evoluir para sintomas mais agudos. Talvez ai esteja também mais um fator que explique os indices de morte no metro de Montreal.

De Trem

Um ano. Foi a validade do visto que o consulado norte-americano me concedeu. Claro que se pudesse ter mais tempo, melhor seria. Mas acho que para uma primeira vez, esta de bom tamanho. Com o passaporte em maos, comecei a preparar meu espirito para a viagem. Serao poucos dias em Nova Iorque, apenas uma semana, mas avisei minha amiga Alessandra que estou muito feliz em revê-la e passar o Natal juntas.
Dai que pedi para minha chefe me liberar no dia 17 de dezembro. Na verdade, meus planos incluem trabalhar na parte da manha e partir à tarde ou no inicio da noite. Nao vou de aviao, pois com o dolar em alta, tudo ficou mais cara por aqui também.
Alias, estou muito mais a fim de ir de trem. Tudo bem, o trajeto é mais longo, mas me disseram que a paisagem é linda e o trem é mais confortavel. Como vou sozinha e nunca fiz viagens de trem, acho que pode ser uma experiência bem interessante. Vamos ver. Amanha vou conferir os preços e horarios, pois hoje, quando cheguei na estacao central, os guiches estavam fechados.