sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Musica Celta

Na semana passada, foi música flamenca. Hoje, é a vez da música celta. Desconfio que será mais um programa no melhor estilo barca furada, mas como Ginette me ofereceu dois ingressos e o espetáculo acontecerá perto de casa, convidei minha incansável amiga Nathalie para compartilhar desse momento. Se for legal, nos divertiremos. Caso contrario, uma ajuda a outra a não naufragar. Depois conto detalhes. Enquanto isso, música celta nos seus ouvidos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Alcool No Trabalho

Na empresa onde trabalho há uma cozinha com tudo o que os funcionários precisam: máquina de café expresso, micro-ondas e todos os apetrechos necessários. Quem quiser, pode trazer de casa sua própria comida ou outros quitutes e guardá-los na geladeira. Aliás, para quem não sabe, aqui não é muito comum sair para comer fora durante o almoço ou frequentar o refeitório da empresa. Quase todos preparam sua propria marmita.
Particulamente, não me importo em carregar minha tuppaware, mas lamento o fato de que na cozinha do meu trabalho nao haja um espaço, com mesa e cadeiras, para comer tranquilamente. Então, eu e meus colegas fazemos nossas refeições sobre nossa mesa de trabalho. É desconfortável, nada higienico e, na prática, não há aquela pausa para descansarmos um pouco.
Mas, há uma geladeira e podemos guardar nossas coisinhas lá dentro. Hoje, enquanto preparava um café, encontrei rapidamente Gino, funcionário responsável pela contabilidade da empresa e o pagamento de nossos salarios. Conversamos rapidamente, como é de praxe quando estamos na cozinha, e qual não foi a minha surpresa ao perceber que ele sacou da geladeira uma latinha de cerveja. Sim, podemos guardar nossas coisinhas na geladeira, e pelo que entendi, isso inclui bebidas alcoolicas.
Ok, aqueles que bebem podem argumentar que cerveja não chega a ser tão forte assim. Mas somente depois de ver meu coleguinha pegar sua cervejinha na geladeira me dei conta de que havia, na prateleira acima da máquina de expresso, uma garrafa de vodka vazia. No aparador atrás de mim, reparei em cinco ou seis garrafas de cerveja Heineken também completamente vazias. Não sei dizer se isso é um hábito por aqui ou uma particularidade de onde trabalho, mas já imaginou se essa moda pega no Brasil? Ninguém mais trabalha!!!
Imagine a cena no Brasil: sexta-feira depois do almoço, sol radiante lá fora e uma preguiça enorme de retomar o trabalho. Para recuperar o folego, um colega chama outro para tomar uma cervejinha bem gelada na cozinha. Pronto, a festa está armada! Se duvidar, montariam ate uma churrasqueira com direito a musica de fundo para relaxar. Definitivamente, a empresa entraria em falência rapidamente.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Amor à La Nelson Rodrigues

Ha semanas, a midia montrealaise nao fala de outra coisa. As radios anunciaram, os jornais publicaram e os quebequenses especulam sobre quem é o milionario da cidade que um dia se casou com uma brasileira e agora, depois de separados, ambos vao à justiça para defender seus interesses.
Para se ter uma ideia do quanto o caso tem atiçado a curiosidade dos quebequenses, quando a noticia explodiu na imprensa e antes mesmo de eu bisbilhotar as principais manchetes do dia, Ginette ja havia me mandado um email de seu trabalho me perguntando se eu estava ciente do acontecimento.
Nathalie, minha amiga parisiense, tambem comentou que na hora do almoço é preciso estar bem informado sobre o assunto para ter o que conversar com os colegas do trabalho. Afinal, todos se perguntam: quem é o milionario?
A imprensa local nao menciona nomes (mas ouvi de um quebequense que basta procurar na midia norte-americana para saber de quem se trata. Dizem que é um homem bastante conhecido nao somente por aqui, mas pelo mundo afora, pois seu nome esta associado ao business de entretenimento), apenas explica que apesar de nao ter se casado no papel e mesmo depois de separados, o tal milionario ja havia contribuido com muito dinheiro para bancar os gastos abusivos da ex-mulher e bancar as despesas dos filhos.
Insatisfeita, a brasileira procurou os tribunais para exigir mais, muito mais. Infelizmente, nao me recordo exatamente do valores, mas acreditem, é muuuuuito dinheiro na jogada!Apesar de manter discriçao quanto aos nomes dos envolvidos (o cotidiano La Presse apelidou a brasileira de Lola), a imprensa nao poupou seus leitores dos detalhes sordidos.
Explicou detalhadamente como o atual milionario, na epoca com seus trinta e poucos anos e hoje na faixa dos quarenta, conheceu, numa viagem ao Brasil, uma brasileira belissima que tinha 17 anos. Apaixonaram-se perdidamente e decidiram ficar juntos. Ela veio morar no Quebec. Dai para a frente, a historia envolve brigas, separacoes e ate uso de drogas. Enfim, uma verdadeira historia de amor à la Nelson Rodrigues.

A Palavra Exata

Acabei de chegar da primeira apresentaçao do Match d'Improvisation de minha amiga Nathalie. Como o proprio nome diz, trata-se de um grupo de teatro amador que se reune numa sala de espetaculo ou bar e improvisa em cena. O mestre de cerimonia propoe um tema na hora e, sem nenhum ensaio, o grupo tem de se apresentar.
Ate ai, parece facil, especialmente para Nathalie, que ja participou durante dois anos de outros grupos em Paris e tem como lingua materna o frances. Pois bem, parece, mas nao e. Primeiro, porque o sotaque quebecois é bastante diferente do francês da Franca, sem contar a mistura de ingles e frances que os quebequenses naturalmente fazem quando se comunicam. Segundo, essas apresentacoes sao muito pautadas no cotidiano daqui. É preciso estar, de certa forma, inserido nesse contexto para nao perder o rebolado em cena. Para nos, estrangeiros, acontece de entendermos o sotaque, mas perdemos a piada. Ou, o contrario.
Hoje, na apresentacao de Nathalie, em que ela encenava com um quebecois, entendi pouca coisa do que ele dizia. Houve a barreira da linguagem e principalmente um detalhe importante: era fundamental saber que a marca mencionada por seu parceiro de cena era de uma serra elétrica. Algo como fazemos no Brasil com o Bombril, Gilette ou Maisena. Esse detalhe facilitaria a replica de Nathalie. Eu nao entendi e quando comentei isso com ela, a propria disse que tampouco tinha capturado a palavra exata.

Mais Papel

Em novembro de 2008, dei entrada no pedido de ajuda financeira para cobrir meus estudos, uma espécie de bolsa. Na época, mandei todos os papéis necessarios para fazer um curso que, neste exato momento, nao esta mais nos meus planos.
Como me recomendaram continuar no processo porque preciso de um codigo que me servira mais para frente quando de fato me inscrever no curso que realmente pretendo estudar, nao interrompi o avanço da papelada.
Aqui com os meus botoes, calculei que essa avaliacao seria rapida, afinal, como nao estudarei nesse primeiro semestre, acreditei que seria facil e rapido dar baixa na minha solicitacao. Engano total! Passados dois meses, esta é a terceira vez que recebe um comunicado pelo correio dizendo que ainda falta algum papel para dar continuidade ao estudo do meu dossier.
E, detalhe, você nao pode mandar nada por fax, scanner ou qualquer outro meio mais agil e eficaz. Precisa tirar copia, colocar no envelope que eles mandam e despachar pelo correio. Até chegar la e retomarem a avaliaçao, seguem-se algumas longas semanas. Viva a burocracia!!!!!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Faz Tempo

Hoje, completo 6 meses em Montreal. Faz tempo, não?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Pegar ou Fazer Amor?

Ontem, conheci um grupo de brasileiros que mora em Montreal. Reunidos num bar e animados com a conversa regada à jarros de cerveja, houve um momento inevitável em que o principal assunto da noite era sexo, mais precisamente as diferenças e semelhanças para abordar o tema em francês e português.
À mesa, havia dois quebequenses. Um deles, repetiu durante a noite toda um único palavrao em português (foi o que ensinaram para o rapaz caso ele quisesse ofender a mãe de alguém). O outro, falava bem português. Aprendeu nosso idioma depois de passar oito anos casado com uma brasileira. Agora, solteiro e disponível, quer voltar ao mercado da paquera e perguntava aos brasileiros quais eram os jargoes da sedução em português. Foi a palavra mágica para que uma lista imensa de malicias, jogos de palavras e, honestamente, muita sacanagem, viessem à tona.
Não citarei todas as baixarias pronunciadas, mas o lado brasileiro perguntou para o lado quebequense como eles definiam o que era uma "boa pegada", de que maneira perguntava a um amigo se "rolou" com determinada pessoa na noite anterior, se ele "pegou" ou "catou" alguém. Houve até uma calorosa discussão para definir se o termo "pegar" vinha do Rio de Janeiro e "catar", de São Paulo. Como era a única representante de Sao Paulo, defendi a tese de que os paulistanos pegam e avaliam a qualidade da pegada.
Expressões envolvendo animais e objetos também não ficaram de fora. Os brasileiros queriam saber se havia algo similar em francês para "afogar o ganso" ou "molhar o biscoito". Na falta de termos idênticos, trataram logo de fazer a tradução literal. O resultado, claro, ficou horrível!

O tema sexo apimentou ainda mais a conversa e aumentou os decibéis. Entre gargalhadas e piadas mal intencionadas, o quebequense (muito bem humorado e talhado com o jeito brasileiro), tentava encontrar palavras em sua lingua materma que acompanhassem a variedade do português do Brasil.

Como não encontrou nada semelhante, rendeu-se ao nosso vasto vocabulário e, em tom de resignação, confessou: "É muito chato falar sobre sexo em francês. Tenho muita coisa para aprender ainda em português. Como você pode explicar em francês que pegou alguém se para isso dizemos faire l´amour????"

domingo, 18 de janeiro de 2009

Segredos De Banheiro Feminino

A noite espanhola não foi das mais supreendentes. Por conta do excessivo frio de sábado, chegamos, eu e Nathalie, ao bar-restaurante e não encontramos ninguém, exceto os músicos que tocavam flamenco e meia dúzia de pessoas bem mais velhas, para não dizer velhinhos, que se espalhavam aqui e ali. Aliás, as únicas que dançavam entre si eram as mulheres. Os homens ficavam em grupos, meio bêbados, encostados no balcão e discutindo sabe-se o quê. Mais parecia o eterno clube do Bolinha e da Luluzinha: meninas de um lado, garotos do outro.
Apesar da falta de público, decidimos ficar a ter de enfrentar o frio glacial das ruas. Como o menu oferecia pratos portugueses e espanhois deliciosos a preços abordáveis e Nathalie estava faminta, pediu uma Paella. Conversamos bastante e finalmente tivemos uma noite agradável. A essa altura, a música havia cessado e fazia frio no salão. Era hora de ir embora. Antes, porém, passei no banheiro.
Quando abro a porta, pelo menos umas cinco mulheres estavam lá dentro, fumando escondido, tagarelando como umas maritacas e vigiando a porta para que os homens não percebessem que fumavam (era possível sentir o cheiro de fumaça no corredor, mas somente elas não se davam conta disso).
Abri a porta e uma delas, Bernadette, tentando impedir minha passagem, falou baixinho: "estamos fumando escondida e você não pode contar para niguém, ninguém mesmo". Disse para não se preocuparem, porque estava longe de ser uma delatora de mulheres fumantes escondidas no banheiro. Foi o suficiente para que engatassem uma conversa comigo e liberassem o passe para usar o toilette. Em poucos minutos, éramos seis mulheres confinadas num banheiro feminino minúsculo, trocando impressões e segredos no maior clima de intimidade, como só um banheiro pode proporcionar.
Falamos sobre a tolerância ao cigarro nas mais diversas culturas, como funcionava a lei do fumo nos bares e restaurantes do Brasil, os fumantes da Europa (Bernadette é francesa, mas vive há mais de 3o anos em Montreal), o rigor e a perseguição aos fumantes no Canadá. O banheiro se transformou num galinheiro com tanto mulher falando!
Finalmente, fiz xixi, lavei as mãos e enquanto me despedia, elas já emendavam outro tema: a descoberta da gravidez não planejada, o primeiro filho, tê-los ou não. E assim foi, com todas elas querendo fazer suas confissões. Não tem jeito, adoramos um banheiro, seja qual for a nacionalidade.

Soltinha, Soltinha

Minha locatária vai passar a noite fora de casa e decidiu que amanhã terá um dia de folga. Telefonou-me agora há pouco avisando para não esperá-la e que posso trancar as portas e pegar o jornal amanhã cedo. Acho revolucionário que pela primeira vez, desde que estou aqui, ela vai romper a minuciosa rotina de acordar às 6h30, ligar a cafeteira, ler o jornal até as 7h30, depois começar a se preparar para o trabalho e sair de casa pontualmente às 8h20.
Evidentemente, não disse com todas as palavras: "isso mesmo, dê os canos no trabalho, se jogue na night com sua amiga ou tome todas para espantar o frio!"Apenas respondi com entusiamo para ela não se preocupar, pois eu cuidaria do cafofo, e disse para aproveitaram a noite. Tá ficando soltinha essa minha locatária, hein? Isso mesmo Ginette, como te disse em post anterior: solte a franga, ma belle!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Arrasta Pé À Espanhola

Daqui a pouco vou a um bar-restaurante onde todas as sextas são dedicadas à dança flamenca. O convite partiu de minha amiga Nathalie e, embora não seja o programa que mais me entusiasme, aceitei ir com ela. Ao que tudo indica, a noite começa com um grupo de dançarinos de flamenco e termina com os frequentadores ocupando o espaço ao ritmo da música espanhola. Vamos ver o que vai dar esse arrasta pé.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

On Gèle!

Conforme publicado ontem neste blog, a Météo Média não errou: - 20 graus e sensação térmica de -30 graus. Essa foi a temperatura ao longo do dia e é o que os termômetros marcam agora, às 21h15. A previsão é de que esse tempo permaneça assim até domingo, quando a temperatura sobe para - 13 graus e haverá neve. É muito, mas muuuuuito frio!!!! Como eles dizem por aqui: On gèle!!!!

Merci/Thank You Aos Imigrantes!

O jornal Métro, cotidiano que como o próprio nome diz, circula pelo metro de Montreal, publicou matéria hoje com o seguinte título: "Montréal peut dire merci aux immigrants" (Montreal pode dizer obrigado aos imigrantes). O motivo: a constatação de que a presença dos imigrantes na metrópole foi responsável pelo aumento da população nos últimos anos, de acordo com o recenseamento de 2006.
Segundo os dados, de 1986 a 2006, a população de Montreal cresceu 5,2%, passando de 1.540 milhão para 1.620 milhão. Em 2006, de cada 10 montrealeses, 3 eram imigrantes.
Entre os distritos onde há a maior concentração de imigrantes, destacam-se Côte-des-Neiges-Notre-Dame-de-Grâce, Villeray-Saint-Michel-Parc-Extension e Rosemont-La Petite-Patrie. Foi também graças à imigração que a idade média dos montrealeses não é mais tão elevada. A maior parte tem menos de 15 anos ou está entre 25 e 44 anos.
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Língua e Imigração

- Menos de 60% dos montrealeses falam francês em casa

- 40% utilizam outra língua que não seja o francês, 48,4% falam inglês e cerca de 7% falam o espanhol e o italiano, enquanto aproximadamente 6% dominam o árabe e o chinês

- A metrópole acolhe 57% dos imigrantes da província

- Cerca de 40% dos montrealeses possuem ao menos um certificado universitário. Essa porcentagem deve-se em grande parte aos imigrantes, que aqui desembarcam com uma diploma nas mãos.

Para quem não sabe, entre os itens primordiais para obter o visto de residente permanente na província do Quebec, está o diploma universitário.
Pode haver casos em que o interessado não tenha nível universitário, mas para isso terá de provar o domínio de outros quesitos para acumular pontos ao longo do processo de seleção.
Aspectos como domínio do francês e também inglês (um terceiro idioma é bem-vindo), profissão (especialmente se tiver alta demanda por aqui), idade, estado civil, etc, são levados em conta.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Quem Não Tem Cão, Caça Com Gato

Quem me conhece sabe que não gosto de atividades domésticas. Não tem jeito, acho uma chatice sem fim e sempre me pergunto por que, em plena era high tech, algumas coisas nunca mudam. Entre as tantas obrigações do lar, incluo fazer comida (veja bem, não disse cozinhar ou preparar pratos) uma das tarefas mais árduas.
Sim, você não tem escolha, pois precisa comer para se manter viva. Como moro sozinha (divido casa com outra pessoa, mas cada uma se vira com sua própria comida) e não disponho de dinheiro para frequentar restaurantes todos os dias, sou obrigada, portanto, a pilotar o fogão.
Hoje, porém, fiquei contente com os pratos que preparei. Inspirada em minha amiga Alessandra, que mora em NY e vive alguns dilemas como eu na hora de encontrar as comidas com as quais estamos acostumadas no Brasil, procurei e encontrei feijão mexicano em lata e salsinha desidratada embalada em potinho de tempero. O resultado ficou ótimo e praticamente idêntico ao feijão do Brasil.

Na minha primeira tentativa, encontrei uma marca de feijão cujos grãos vieram batidos. Ficou gostoso, mas parecia muito mais uma sopa. Dessa vez, procurei com mais cuidado e apostei numa outra marca. Deu certo. Feijão rosadinho, com grãos grandes e caldo suculento!

Quanto à salsinha, fiquei tão animada com a descoberta que agora nenhum prato sai do fogão sem salsinha. Às vezes até acho que não combina muito com o cardápio, mas não tem problema, jogo salsinha em tudo! O bom dessa salsinha desidratada é que ela não murcha nunca e já vem toda picadinha. Adoro essas praticidades!

Para completar o menu, Ale havia me presenteado com um pacote de café Três Corações. Em Montréal também é possível comprar café moído, especialmente da Colômbia, mas acho o preço um pouco exorbitante, considerando-se o tamanho pequeno do pacote. Com o Três Corações em casa, não foi difícil encontrar o famoso e tradicional filtro Melitta. Agora, tomo café insanamente para me aquecer e espantar o frio. E assim sigo com minhas descobertas gastronômicas, sempre me lembrando de repetir, à frente do fogão elétrico de minha locatária, o velho ditado: quem não tem cão, caça com gato! Bon appétit!

Forminha de Gelo

A Météo Média, um dos principais canais de previsão do tempo no Canadá, anuncia que quinta e sexta-feira a temperatura mínima em Montreal será de 33 graus negativos e com sol!!!!! Sim, o fato de fazer muito frio não significa que teremos sombra e escuridao. Pelo contrário, há dias iluminados, belíssimos e branquíssimos.
Alguém pode dizer que a meteorologia sempre erra, mas desde que cheguei aqui, a Météo Média tem acertado todas. Nesses dias glaciais, a impressão que tenho é de que estou presa numa forminha de gelo, pois fico toda encolhida, com os movimentos limitados por conta do excesso de roupas. Aliás, por mais que você esteja agasalhado e protegido, nao tem jeito, em algum momento você vai sentir um friozinho.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A Vida (Quase) Amorosa de Minha Locatária

Minha locatária tem um ex-namorado que virou amiguinho. Sim, parece que os romances aqui acabam bem e todos se tornam amigos depois do rompimento. Aliás, nada como conviver com gente civilizada, que se frequenta depois de compartilhar momentos de intimidade. Pelo menos no caso específico dela, os bons modos prevalecem de verdade, pois não há recaídas (não vi e ouvi nada de estranho por enquanto), segundas intenções, tentação ou aquela história safada de dar uns beijinhos, afinal, o casal está à toa mesmo, sem fazer nada, faz frio.
As visitas de E. (prefiro nao citar nomes), o ex, se limitam a comidinhas rápidas no domingo (calma gente, refiro-me ao brunch preparado por ela), regado a muito bate-papo e boas gargalhadas da parte dela, algo raro de se ouvir. Desconfio que por conta da boa companhia, ela até tentaria um segundo tempo na relação, mas pelo que entendi, E. é implacável e não cede. Decidiu que serão amigos e assim tem sido. Discretamente, tentei dar um empurrãozinho para reatar o romance, mas ele é lento e não reage. Acho que até a minha locatária já deu o caso por vencido.
Mas eu não. Ainda guardo uma pequena chama de esperança e sempre que ele vem em casa, faço o possível para ficar no meu quarto ou saio para dar uma volta. Ontem, porém, acho que dei muito na cara e ela percebeu. Saí assim que E. chegou.
Passei o dia todo na rua e à noite, quando voltei, ela engatou: "espero que você não se sinta obrigada a sair de casa todas às vezes que E. vem me visitar". A frase me pegou tão de surpresa que não soube muito bem o que falar e acabei me atrapalhando na resposta. Apenas disse: "imagine, foi uma coincidência a minha saída com a chegada dele (sorrisinho amarelo estampado no meio da cara). Acho o E. super simpático!"
Gente, o que tem a ver a minha saída com o fato de ele ser simpático??? Quando me dei conta dessa frase ordinária, corri para o meu quarto e fechei a porta, evitando assim prolongar o assunto. Aliás, essa é minha primeira reação impensada quando me confundo e dou vexame: corro, aperto o passo, procuro o primeiro lugar para me esconder. Juro que fiz tudo isso movida por boas intenções. Queria que minha locatária aproveitasse minha ausência para se jogar nos braços de E. e dizer: Je t'aime!!!! Vai, se mete na vida alheia.


Para celebrar o amor e em homenagem a minha locatária e seu ex-namorado e atual amiguinho, Je t'aime, Moi Non Plus, com Alan Delon e Brigitte Bardot.

Nasce Um Monstro

Olhei-me no espelho e me achei com a cara amarela. Não, não é aquele amarelo dos asiáticos, mas algo mais desbotado. Desconfio que seja a falta de sol, pois até onde sei, estou com a saúde em dia. Para você ter uma idéia, desde outubro de 2008, quando o outono chegou e eu achava que o frio daquela estação era o máximo do suportável, adotei a meia-calça de lã. Desde entao, nunca mais deixei de usá-la.
De novembro em diante, a tendência foi cobrir cada vez mais o corpo, restando somente a face (às vezes somente os olhos), muitas vezes castigada pelo vento cortante feito lâmina. Para piorar a aparência de espantalho em que estou me transformando, meus cabelos estão elétricos, porque me rendi à touca de lã. Minha pele, além de seca, coça um pouco, consequência dos banhos mega quentes que tomo todas as noites (bom, pelo menos ainda estou tomando banho). Uso hidratante, mas não adianta muito. Enfim, nasce um monstro!

Do Jeito Que o Diabo Gosta!

Estou de saida do trabalho mas decidi publicar esse post antes de ir embora. Hoje, fiz hora extra. Minha chefe perguntou se eu poderia trabalhar mais para ajudar minha colega. Aqui entre nós e para ser só um pouco maudosa, ela não dá conta do serviço e eu acabo ajudando, pois não tem jeito, ainda carrego nas veias o ritmo de trabalho de Sao Paulo. Sem contar que minha amiguinha é gente boa. Então, ajudo sem problemas.
Tento fazer tudo num ritmo mais lento, como acontece por aqui, mas ainda assim, termino logo. Se bem que o trabalho é braçal, não precisa pensar muito. Vai ver por isso é fácil e rápido.
O fato é que se continuar ligeira desse jeito, mais trabalho a chefe me passará. Quando comecei, a proposta era somente responder as questões dos clientes referente à utilizacao do serviço. Estou aqui há uns 4 meses e desde então passei a me ocupar do blog, de revisões de textos e do próprio site (que tenho de começar a fazer esta semana), de selecionar fotos, traduzir os textos explicativos de novos serviços que entram no ar. Minha carga horária aumenta todas às vezes que há mais serviço, como aconteceu hoje, garantindo-me uma graninha extra no final do mês.
Para mim, está bom assim, pois o trabalho é tranquilo. Aliás, era tudo o que eu precisava nesse momento: algo simples, que não exija muita massa encefálica e com uma chefe que nunca, mas nunca pega no meu pé. Estabeleci meu próprio horário e se tiver de mudar os dias de trabalho, é possível fazê-lo sem estresse, já que pego no batente somente 3 vezes por semana. Estou do jeito que o diabo gosta!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Xixi Vigiado

Estava na cidade subterrânea, um shopping gigante embaixo da terra, e procurava desesperadamente um banheiro para fazer xixi. Como o lugar parece um labirinto e meu senso de direçao nao ajuda, demorei a encontrar um banheiro. Quando finalmente o achei e sem suportar mais a pressao na bexiga, corri para a primeira cabine disponivel.
Ao abrir ziper do casaco (sim, no inverno é complicado fazer um simplex xixi, tamanha a quantidade de roupas) e desabotoar a calça, eis que vejo uma câmera pendurada no teto, me olhando sem o menor pudor. Talvez seja justificavel colocar câmeras para vigiar o vai e vem de tantas pessoas que passam num lugar como este, mas acredito que ela deveria estar posicionada num lugar um pouco mais discreto, e nao apontada para dentro do cubiculo onde estava.
Felizmente, percebi a tempo o intruso e fiz o percurso inverso: fechei as calças e o casaco, peguei minha bolsa e corri para outra cabine. Quando abri a porta, vi que havia mais uma câmera com foco em outro ponto do toilette. Como o banheiro era grande, dei a volta e fui para o outro lado. No entanto, você pode deduzir que a essa altura so nao fiz xixi nas calças por sorte e total controle das minhas funçoes fisiologicas.
Com a bexiga devidamente vazia, sai de la pensando a que ponto chega a insanidade de vigiar e controlar tudo! Pior ainda é supor que deve haver toda uma equipe de segurança responsavel por verificar diariamente as imagens que sao gravadas no banheiro. Imagine você, ser responsavel por selecionar as imagens suspeitas das escatologicas? E quanto a nos, pobres mortais, vigiados no momento de fazer um xixizinho ou um simples pum? Faz sentido tudo isso?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

English Course

Hoje foi a primeira aula de inglês na Universidade McGill. Minha impressão foi boa, para não dizer, excelente! Não tem nada, mas absolutamente nada a ver com aquele primeiro curso que fiz aqui, à la The Book Is On The Table. Fiquei contente e motivada e espero que o ritmo das aulas se mantenha assim até o final.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Força Na Peruca!

Para dar continuidade à minha idéia (ainda nao aderi à reforma ortografica) de mexer a bundinha desde ja, conforme expliquei no post de ontem, comecei a semana colocando em pratica meus planos para o inicio de 2009: ser voluntaria do projeto de acompanhamento Quebec-Guatemala, cujo tema abordei nesse espaço, e estudar seriamente inglês. Na verdade, aprender, tornar-me fluente na lingua de Shakespeare.
Pois bem, na quinta-feira começo as aulas de inglês na Universidade Mcgill , cuja duraçao sera de 4 meses. Hoje, também recebi um email da responsavel pela realizacao da revista do projeto Quebec Guatemala. Inicialmente, devo me ocupar da correcao e revisao das resportagens e, futuramente, das traduçoes.
Como se trata de uma atividade voluntaria, propus uma carga horaria de uma vez por semana, quatro horas por dia. É pouco, mas preciso dividir meu tempo para procurar mais um emprego, pois o meu atual trabalho é de meio periodo e nao me garante um salario suficiente para viver aqui sem tocar no dinheiro que trouxe do Brasil.
Assim, pretendo buscar uma atividade complementar, tambem a tempo parcial, para fazer um extra. Alias, essa deveria ser a primeira providência a tomar, mas confesso que animada mesmo nao estou. Para ser bem honesta e cara de pau, nao queria nunca mais trabalhar, apenas fazer o que tenho vontade! Mas o dever e a necessidade de sobrevivência me chamam.
Escrevendo desse jeito, parece que estou atolada de coisas para fazer. Mas a verdade é que nao estou. Terei tempo de sobra para realizar o que me propus sem esquecer de me divertir e bater perna por ai, afinal, em Montreal tudo caminha num ritmo bem menos frenetico do que em Sao Paulo e gradualmente estou aprendendo ir mais devagar. Entao, força na peruca!
Para Constar:
Alguém sabe como faço para mudar o teclado do meu computador para o português do Brasil? Encontrei apenas alguns comandos para acentos e pontuaçao e acho bem chato escrever tudo errado!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Mexer A Bundinha

Parece bobagem, mas gosto dessa sensacao de inicio de ano quando tudo (re)começa a funcionar. Para muitos (eu me incluo na lista), é prazerosa a possibilidade de organizar-se, pensar em projetos, colocar em pratica novas e velhas ideias, mudar, aceitar ou redimensionar seja la o que for.
Ainda que simbolicamente, a chegada de um novo ano, pelo menos para mim, representa o momento de traçar um plano das minhas vontades e correr atras para concretiza-las, mesmo que muita coisa mude no meio do caminho e ganhe formas diferentes das que imaginei no começo. Às vezes ralho, reclamo, nao gosto, discordo, mas nao tem jeito, acabo aceitando mesmo à contragosto.
É como se preparar para uma longa viagem. Você arruma as malas e sabe onde vai aterrisar, mas desconhece totalmente o que encontrara pela frente. A viagem pode ser incrivel ou uma chatice sem fim, mas acho esse elemento surpresa a parte mais estimulante.
Nao importa a sua viagem/projeto: espiritual, material, sexual, profissional, tribal, corporal, o legal é colocar-se em movimento, mexer a bundinha (no sentido figurado, claro), sabe como é? Eu ja estou mexendo a minha, lembrando-me sempre de fazer tudo com mais leveza e humor, pois tenho uma grave tendência em querer chutar a porta e dar mais densidade às coisas do que elas realmente merecem. Entao, vamos em frente, pois quem fica parado é poste e boneco de gelo!
Para constar:
Hoje, o dono da empresa onde trabalho e que raramente me dirige a palavra, aproximou-se, deu-me dois beijinhos (como é de praxe por aqui) e me desejou "une très belle année 2009". E eu so consegui dar umas risadinhas e responder: "merci, à toi aussi"!

Ainda

Acredite se quiser, mais ainda estou juntando papéis do ano passado para entregar, mandar pelo correio. Nao me servirao para mais nada, mas caso os ignore, poderei ter problemas futuramente. Entao, melhor nao vacilar. Como prometi para mim mesma que em 2009 ficarei mais esperta com os prazos e datas super antecipadas daqui para nao ficar a ver navios, ja comecei a minha maratona de empilhar documentos.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

50% Off

Passada a furia consumista do final de ano, todas as lojas estao com seus produtos em liquidaçao. Hoje, passeando pela cidade subterrânea, conferi os preços e realmente é a queima total do estoque e de tudo o mais que sobrou da coleçao de inverno, com até 50% off. Nao sou uma compradora compulsiva, mas até eu me rendi ao saldao e comprei um paleto de veludo que é uma graça. Para os homens que dispensam a moda e preferem os eletroeletronicos, ha também boas opcoes. Aqui perto de casa, numa das ruas conhecida por ser um centro comercial, vi maquinas fotograficas digitais, aparelhos de som e toda uma parafernalia a preços convidativos. Loucura, loucura total!!!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Solte A Franga!

Acordei tarde e Ginette ja estava chorando. Sim, minha locataria é uma mulher sensivel e chora por qualquer coisa. Suspeito que ha um pitada de melancolia, uma certa nostalgia e a solidao, mas de um modo geral, ela chora com bastante facilidade. À medida que nossa convivência avança e por mais que eu mantenha uma certa reserva, algumas coisas nao escapam ao dia a dia.
A cena de hoje daria uma otima cronica e mostra bem como nos, mulheres, algumas vezes somos completamente descompensadas. Respeito os sentimentos de Ginette, mas ao vê-la chorar colocando sabao liquido na lava-louca, depois sentar-se à mesa do café da manha toda descabelada e mastigar e chorar, chorar e mastigar, disse a mim mesma: somos todas um pouco loucas!
O fato é que com o fim das festas, as despedidas, os filhos que se vao, os amigos que passaram para desejar Boas Festas e a proximidade do retorno à rotina e com ela tudo o que ha de bom e de desagradavel, é compreensivel essa sensaçao de tristeza. Aqui, ao contrario das familias brasileiras, cujo apego afetivo é mais intenso (em alguns casos, exagerado), as relacoes familiares sao distantes.
Creio que essa formalidade alguma hora pesa e talvez por isso Ginette chorou a manha toda, contou sobre as sensacoes intensas que viveu nesse final de ano junto à familia, mostrou fotos antigas e ofereceu-me alguns quitutes que havia preparado com tanto cuidado e com os quais desembolsou uma fortuna.
Da minha parte, escuto e comento o que é possivel, embora minha vontade seja de lhe desejar um 2009 mais divertido, bem humorado, menos nostalgico, com um ou varios namorados e amigos para sair e aproveitar o verao que daqui a pouco esta ai. Ginette, depois do peru de Natal, solte a franga, ma belle!

Contagem Regressiva Para 2009

A sensaçao térmica era de uns 26 graus negativos e o frio parecia triturar os ossos. Mesmo assim, sai de casa por volta das 22h para ver a festa da virada de ano na praça Jacques Cartier, proximo ao porto de Montreal, na parte antiga da cidade. Um palco foi montado para a apresentaçao de uma banda que animava o publico, saltitante nao sei se de felicidade com a chegada de 2009 ou para espantar o frio.
Fiquei por ali, andei pelas ruas, mas quase uma hora e meia depois, por volta das 23h30, nao sentia mais os dedos dos pes e as poucas fotos que consegui tirar ficaram com uma qualidade horrivel, pois minhas maos congelaram. Nesses horas, você começa a sentir dor e so pensa em encontrar um lugar fechado para se abrigar do frio.
Ginette, minha locataria, havia me oferecido uma bebidinha para levar, mas como tenho baixa resistência ao alcool, recusei, sob risco de cair bêbada num canto da rua com a cara enfiada na neve. Seria fim de carreira demais!Procurei abrigo numa daquelas lojinha de souvenirs para turistas, mas o dono do estabelecimento me olhava desconfiado. Acho que pensou que eu roubaria alguma coisa, pois fiz cara de paisagem enquanto circulava pelas prateleiras e esperava recuperar o calor. Nao funcionou muito bem.
A certa altura, poucos minutos antes da meia-noite, pensei que nao suportaria tanto frio e até tomei o rumo de volta para o metro. Mas, quando vi que faltavam apenas 20 minutos para a chegada de 2009, fiz um esforço, dei meia volta e resisti bravamente. Havia muita mais gente na praça, todos animados e dançantes.
Quando os relogios indicavam cinco minutos para meia-noite, veio a contagem regressiva e a queima de fogos. Confesso que esperava algo mais vibrante, mas creio que foram uns 5 minutos de fogos de artificio , algumas luzes e pronto, 2009 chegou!.
Registrei um ou outro estouro e corri para o quentinho do metro, pois fiquei com medo de que acontecesse alguma coisa com os meus pés, ja que nao os sentia mais e estava com dificuldades para andar. Tanto é verdade que finalmente (depois de varias derrapadas desde que começou a nevar em Montreal) escorreguei e cai na calçada. Comecei 2009 com o pé direito congelado e de bunda no chao. Sera que isso faz diferença na hora de ter um ano prospero ou é um mau pressagio?