sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Virada Cultural - Versão Quebequense

"Em Montreal, gostamos tanto do inverno que passamos a noite fora!" É com esse mote que acontece amanhã a Nuit Blanche de Montreal. Mistura de arte, cultura e vida noturna, o evento conta com mais de 165 atividade distribuídas em três bairros. A exemplo da Virada Cultural de São Paulo, a Nuit Blanche de Montreal dura 24 horas e um esquema de transporte público foi especialmente montado para a ocasião. Além de ônibus que levarão as pessoas de uma atividade a outro entre os bairros, o metrô funcionará a noite toda. No ano passado, a Nuit Blanche de Montral reuniu cerca de 200 mil pessoas.
Para mais informações, visite o site http://www.montrealenlumiere.com/

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Antes Tarde do Que Nunca

Há uns 15 dias deixei minha papelada na Univesidade de Montreal e me inscrevi para o mestrado em tradução. Segundo verifiquei no site da faculdade, meu processo ainda está em análise. Caso seja aceita, é bastante provável que tenha de passar por um teste de inglês e francês, já que nunca fiz nenhuma graduação nesses dois idiomas. Enfim, deixei de lado esse negócio de curso de internet, desenvolvimento de web site e blá, blá, blá. No fundo, acho que não tinha nada a ver e achei melhor optar por algo mais coerente comigo. Enfim, antes tarde do que nunca. Torçam para que eu seja aprovada.

Com Quem Interajo

Depois de sete meses por aqui, já converso com mais pessoas. Além de Nathalie (a parisiense), Samir, meu coleguinha argelino, Laila, amiga que me hospedou por aqui quando cheguei e, claro, minha locatária Ginette (ou Gigi, para os íntimos), interajo de leve com Nada (sim, este é o nome dela). Ela é de Côte d`Ivoire e fazemos aulas de inglês. Nada não conhece o Brasil, mas sonha em visitar a terra brasilis desde que viu o pais pelas novelas da Globo.
Quase me esqueci de Eduardo, curitibano com quem mantenho contato desde que cheguei em Montreal. Edu me deu algumas boas dicas de moradia, pois o conheci justamente na época em que estava desesperada para mudar de casa. Entre os brasileiros, recentemente encontrei Tania, pernambucana que está há 8 anos em Montreal. Duas vezes por semana fazemos aulas de inglês e embora devesse me comunicar com ela estritamente em inglês, não resisto e converso praticamente o tempo todo em português. É um dos momentos raros durante a semana que falo minha língua materna e escuto o sotaque malemolente dos recifences.
No trabalho, uma vez ou outra converso com Gino, aquele que bebe cerveja no horário do expediente; além de Mulai, quando coincidimos de pegar o metrô juntos. Bate-papo mesmo tenho com Flavia, peruana que se ocupa da parte em espanhol e inglês do site. Ela tem parentes no Brasil e nossa comunicação é bem interessante. Como ela entende português mas não fala o idioma, Flavia conversa comigo em espanhol e eu respondo em português. Entre os dois idiomas, às vezes misturamos o francês e um pouquinho de inglês. O importanto, porém, é que nos comunicamos bem.
Recentemente, um novo funcionário começou a trabalhar na empresa. Mehdi (pronuncia-se Médi) é também argelino e cuida da parte de informática. Como a sua mesa está virada de frente para a minha, não resisti e outro dia puxei papo. Na verdade, ofereci um gomo de minha mixirica e foi a deixa para que ele me explicasse que a clementine, como é conhecida por aqui, tinha sido criada em seu país. Depois, ele me enviou um vídeo de um documentário sobre o Brasil transmitido pela rádio e TV Canadá. Desde então, batemos um papinho na hora do trabalho.
Para não dizer que não converso com muitos quebequenses (à exceção de Ginette e Daniel, o químico do Meetup que fala pelos cotovelos), não podia deixar de mencionar Michel, meu conselheiro profissional que desde o início vem me ajudando nas questões de emprego, papéis e outros detalhes que vou conhecendo aos poucos. Ele é muito gente boa e até pensei em lhe dar um presentinho. Minha intenção não era lhe agradecer pela ajuda que tem me oferecido, mas por considerá-lo um cara muito bacana. Gente do bem.
Ainda não comprei nada porque, sei lá, vai saber como eles, os quebequenses, reagem. Sei que é bobagem e vou acabar comprando uma lembrancinha, pois para ser bem honesta, não estou nem ai para tais formalidades e etiquetas. Acho que no fundo todo mundo gosta de ganhar um presentinho, receber um agrado.
Ah, ia me esquecendo de Carlos, outro peruano frequentador do Meetup. Ele é bem animado e nos divertimos, mas confesso que às vezes fico um pouquinho cansada dele. Basta me ver e Carlos me pergunta quando vou ensiná-lo a dançar samba. Sim, logo eu que tenho ziriguidum, ginga e rebolado. Para além do maldito estereótipo da brasileira que tem samba no pé, falei para ele procurar uma professora de verdade, já que eu não sei nem brincar de a dança das cadeiras.

Sete

Sete meses de Montréal e parece que estou aqui há muito mais tempo. Uma eternidade, para falar a verdade. Mas, está tudo bem, devagar, num ritmo de uma passo de cada vez.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Imaginário Colorido

Hoje, pisei no tomate no trabalho. Não foi um tomatão, mas sei lá o que aconteceu, acho que entrei em estado de transe e me distraí. Numa dessas, vacilei num email e, quando a chefe viu e veio me perguntar, não sabia o que dizer, pois estava errado mesmo, não tinha o que argumentar. Não sei se isso acontece muito com você, mas tenho uma capacidade de viajar, fazer orelha de Snoopy e cara de paisagem que é no mínimo curiosa. Às vezes, é proposital, outras vezes, nem me dou conta e já desmaterializei. É simples assim: de repente, você não está mais plugado. Puf! Desligou.
Se estou entre amigos, numa ocasião mais descontraída ou diante de um chato, não vejo problema em ligar o piloto automático. No ambiente de trabalho, porém, é mais arriscado, mesmo quando a situação e as pessoas são enfadonhas e praticamente exigem que você libere seu ectoplama. Claro, me atrapalho, pareço uma pateta tentando fazer pose de que está tudo sob controle quando sou chamada à razão. Evidentemente, não funciona, pois fica explícito que você fui no mínimo relapsa.
Excesso de imaginação, dispersão, falta de concentração, fuga da realidade? Não sei, pode ser. Estou tentando ficar mais alerta, focar mais ao invés de me deixar levar por um detalhe irrelevante (o botão de uma camisa, um buraquinho na mesa, os buraquinhos do nariz, o formato das mãos de alguém, os sapatos, as orelhas...) no meio de uma reunião de trabalho ou mesmo quando estou sozinha e deveria concentrar-me no que estou fazendo.
Não deixei (e talvez nunca abandone) definitivamente de ter meus pequenos devaneios cotidianos, apenas controlo para que a história não se prolongue demais na minha cabeça. Quando me dou conta (às vezes, tarde demais) de que o negócio já está quase virando um filme, caio na real. Em outros momentos, porém, perco totalmente o fio da história e volto tal como um espírito que se apodera de um corpo.
Se estou preocupadíssima com esse, digamos, meu jeito de ser? Honestamente, nem um pouco. Mais francamente ainda, estou me lixando! Não prejudica a mim nem a ninguém. Acho que ter um imaginário colorido é muito mais excitante do que enxergar tudo sob uma ótica em preto e branco, absolutamente concreta. E, aqui entre nós, tenho certeza de que as pessoas que paticipam das minhas histórias adorariam saber o papel que protagonizam. Todos são excelentes atores e há roteiros para os mais variados gostos cinematográficos.

Folia, Confete e Samba no Pé

Aos foliões, um excelente Carnaval. Por aqui, não temos folia, confete e escolas de samba, exceto o Carnaval de Quebec, que durou dois finais de semana e terminou no último domingo. Ao contrário do Brasil, onde a festa acontece em ritmo de samba, suor e muito calor, o carnaval de Quebec tem desfile de bonecos em meio a muito gelo e um hotel todo construído também em gelo. Ainda não fui ver o carnaval da província, mas se você estiver disposto a desembolsar um bom dinheiro, pode até se hospedar no hotel de gelo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Psiu!

Quanto silêncio por aqui, não?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O Que Fazem Os Montrealais Embaixo Das Cobertas?

Amanhã, 14 de fevereiro, é Dia dos Namorados, o Saint-Valentin. Para celebrar a data, o jornal Métro, cotidiano que como o próprio nome diz circula no metrô de Montreal, publicou hoje uma pesquisa sobre a vida sexual dos montrealais. A sondagem não fornece detalhes sobre quantas pessoas foram entrevistadas, mas revela que a população de Montreal não vai para debaixo das cobertas apenas para se proteger do frio.
Para se ter uma idéia dos resultados, os montrealais fazem sexo duas vezes por semana, embora os entrevistados de 18 a 34 anos tenham manifestado o desejo de transar três ou mais vezes durante a semana. Os casais que não dividem o mesmo teto têm uma tendência maior a manter relações sexuais.
Segundo a pesquisa, 61% dos entrevistados acreditam no casamento, mas 50% dos montrealais estão solteiros (graças a deus!!!!). Os dados revelam também que 27% dos pesquisados já tiveram relações sexuais no trabalho. Os lugares preferidos são ao ar livre (67%), no carro (66%) e no banheiro (22%).
A enquete mostra ainda que quatro em cada dez montrealais (41%) afirmaram ter traído seu parceiro(a). Ao que tudo indica, há pessoas que são mais suscetíveis a uma escapadela. Os números revelam que a metade dos entrevistados que não acreditam na instituição do casamento (51%) cometeram adultério, contra 35% dos que creem.
Além disso, um em cada 5 montrealais trairiam seus atuais parceiros se tivessem a absoluta certeza de que jamais seriam descobertos. Os homens (25%) são os mais propensos a pular a cerca do que as mulheres (11%). O mesmo é válido para aqueles que não acham seu companheiro (a) muito sexy.
Um dado preocupante revela que 35% dos montrealais já tiveram várias relações sexuais sem camisinha com pessoas que acabaram de conhecer. Considerando-se aqueles que deixaram de usar o preservativo apenas uma única vez, esse percentual sobe para 51%. Para a sexóloga Natalie Suzzane, esse índice elevado deve-se ao fato de que muitas pessoas acreditam que as doenças sexualmente transmissíveis (DST) sempre contaminam o outro e não aquele que negligencia o uso do preservativo uma vez ou outra.


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Outros resultados:


- 65% já tiveram uma aventura que durou apenas uma noite

- 51% utilizaram "brinquedinhos sexuais" com um parceiro

- 44% fizeram sexo por telefone

- 30% fazem "teatrinho" (encenam, assumem outros personagens, enfim, soltam a franga) durante o sexo

- 30% tiveram relações sexuais a três

- 18% dos que se consideram heterosexual tiveram relações íntimas (pois é, o jornal preferiu um termo, digamos, eufemístico e optou por relações íntimas) com alguém do mesmo sexo

- 11% pagaram para transar


A pesquisa perguntou se durante a relação sexual os entrevistados tiveram fantasias com:


- um amigo do sexo oposto (34%)

- un estrangeiro (30%)

- com o ex parceiro (26%)

- com um colega de trabalho (25%)

- uma celebridade (20%)

- uma pessoa do mesmo sexo (21%)

- com o chefe (apenas 3%)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Voluntariado

Depois de muito lenga-lenga, assembléia geral e uma certa lentidão (aqui tudo é mais devagar), finalmente recebi email com o que cada voluntário fará para a edição de março da Revue de l`Actualité, do Projeto de Acompanhamento Quebec-Guatemala (PAQG). Abordei o tema em dezembro de 2008, quando decidi fazer voluntariado. Para quem não se lembra, o PAQG é uma organização não-governamental que presta assistência ao povo guatemalteco, entre os quais o acompanhamento internacional em zonas de risco.
A revista tem tiragem bimestral e conta com a iniciativa de voluntários para fazer a tradução dos textos do espanhol para o francês e a revisão. Primeiramente, optei pela revisão, e embora ainda não tenha recebido o texto, sei que estou encarregada do artigo que aborda as novidades vindas da Guatemala. O prazo de entrega é 5 de março. Vamos ver como me saio.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Metralhadora Discursiva

Químico de profissão, mas interessado e conhecedor dos mais variados temas (de eutanásia a petróleo, revolução tranquila às favelas no Brasil, passando por Bombardier e Embraer), o organizador do grupo de conversação inglês-francês do qual faço parte me parece ser um sujeito bem informado, inteligente e articulado.
Tantos adjetivos, no entanto, esbarram num leve inconveniente: ele fala muito, fala exageradamente, fala pelos cotovelos e por todos os poros. É uma verdadeira metralhadora discursiva.
O que poderia muitas vezes ser uma discussão estimulante e aberta a todos, se transforma num verdadeiro monólogo. Muitos dos estrangeiros que fazem parte do grupo apresentam dificuldades para acompanhar o falatório por não dominarem bem um dos dois idiomas (o organizador fala fluentemente inglês e francês) ou porque acham o discurso uma chatice sem fim. Da minha parte, nunca abri muito espaço para suas intermináveis apresentações.
No último domingo, porém, bem humorada e disposta a saber mais de um nativo como, de fato, é a lógica do lugar e das pessoas daqui, puxei assunto. Foi quase como uma conversa-entrevista. Para evitar que ele falasse ininterruptamente, conduzi o bate-papo e cortei o discurso quando se prolongava demais.
A conversa foi interessante e agradável. Falamos sobre o jeito de ser quebequense (com a eterna rivalidade entre ingleses e franceses), o multiculturalismo, imigrantes, as mulheres quebequenses e sua relação com os homens, a paquera, questões trabalhistas e como funciona o quebequense no momento de entrevistar um candidato para um emprego, seu comportamento no ambiente de trabalho, as universidades e o mundo da educação no Quebec, etc. Aprendi bastante e agora sei como segurar uma conversa com ele sem que seja necessário fazer cara de paisagem e falar a linguagem do Snoopy. É preciso ser repórter e ao mesmo tempo, editor.

Terapia Do Tapa Na Orelha

Não sou de fazer comentários maudosos sobre pessoas no blog. Aliás, poucas vezes cito nomes, exceto os das pessoas que fazem parte do meu cotidiano por aqui. Mesmo assim, são sempre menções que, acredito, não comprometem os envolvidos.
Seguindo essa linha, continuarei, na medida do possível, mantendo sigilo sobre meus personagens. Mas, gostaria apenas de expressar um sentimento que me acometeu hoje. Tive uma vontade muito grande de bater num colega de trabalho, dar uns tapas na orelha dele. Sabe como é, quando você, num movimento rápido e certeiro, vira a mão na orelha de alguém só para a criatura ficar esperta?
Nada grave aconteceu, apenas um comentário inofensivo que para mim não tinha sentido nenhum, enfim, fora de hora (sem sintonia com o meu ritmo). Daí a vontade de dar um tapa na orelha para ver se o sujeito se sincronizava comigo. Sacou como funciona a terapia do tapa na orelha?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Banho de Sol

Os quebequenses e estrangeiros que moram em Montreal há mais tempo afirmam com convicção que o clima somente começa a melhor por aqui no início de abril. Nessa época, as temperaturas sobem um pouco mais e os termômetros batem os 10 graus. Para nossos hábitos tropicais, 10 graus é um frio horrível! Mas, acredite, depois de passar quatro meses com pouca luz, neve para todos os lados e frio intenso, você começa a acreditar que 10 graus é uma temperatura agradável, quente, um verdadeiro paraíso.
Alias, abaixo disso já é considerado tempo bom por aqui. Prova disso, foi o domingo de sol que tivemos ontem. Fazia algo em torno de 10 graus negativos, mas o dia estava tão iluminado que, segundo Nathalie, minha amiga parisiense que saiu para fotografar, as ruas e parques estavam tomados de gente. Pais, crianças, cachorros, idosos, todo mundo decidiu aproveitar a tarde ensolarada para espantar o bolor.
Tudo bem, não dá para tirar os casacos e abrir mão das botas, luvas e demais acessórios para se proteger do frio, mas só de ver a luz, é uma alegria! Hoje, o clima também foi generoso. São 16h40 e ainda há sol. Lembro-me que em dezembro e janeiro, por volta desse mesmo horário, já fazia noite. Agora, o sol se põe mais tarde, às 17h.
Curioso também é observar o quanto o sol influencia diretamente o humor de todos por aqui. Cheguei em Montreal em pleno verão e a cidade literalmente borbulhava. Espetáculos para todos os lados e gente, muita gente sorridente, disposta e feliz andando pelas ruas. Com a chegada do outono, ainda era possível ver uma boa pitada de humor nas pessoas. No auge do inverno, porém, a impressão que se tem é de que todos se fecham num casulo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Águas Tranquilas e o Cara da FedEx

Nenhuma novidade no front. Trabalhei praticamente todos os dias, frequentei religiosamente as aulas de ingles e saí pouco, pois o frio tem sido implacável. Enfim, navegando em águas tranquilas por aqui. Bom final de semana a todos!
Para Constar:
Ainda estou no trabalho e agora há pouco um entregador da FedEx passou por aqui. Gente, nunca vi nada tão grande, alto, forte e corpulento!!!! Fiquei chocada!!!! Devia ser proibida a entrada de gente desse porte nos estabelecimentos sem que os demais presentes sejam avisados com antecedência. Que violência, viu! Bom, pensando melhor, acho que não estou navegando em águas tão tranquilas assim, né?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

I'm The Boss

Frase que uma colega portuguesa do curso de inglês proferiu, supostamente em tom de brincadeira, quando descobriu que eu e mais outra aluna somos brasileiras e, obviamente, falamos português: "Ah, vocês falam português tambem, mas I'm de boss!" Depois desse surto colonialista, quem me conhece ja deve ter imaginado a cara que fiz para ela. Podem antever tambem que ate o final da aula fui sociavel e simpatica, ora pois!

Roberto Leal - Arrebita