segunda-feira, 27 de abril de 2009

Da Cor da Hepatite

A temperatura deve chegar aos 27 graus hoje à tarde com uma sensação térmica superior ao que indicam os termômetros. Toda animada com o sol que faz nas ruas, vesti uma camiseta para ir ao trabalho, quando me dei conta de que a cor dos meus braços nem sequer é mais branca, mas sim pálida-bege-amarelada-desbotada. Parece que estou com hepatite.

domingo, 26 de abril de 2009

De Coração Aberto

Hoje, conheci um café italiano famoso em Outremont, bairro predominantemente de judeus, onde se forma fila para pedir o famoso café com leite cremoso. O ambiente não tem nenhum atrativo especial e muito menos oferece um menu variado de guloseimas para acompanhar as bebidas, mas é o típico lugar que ganha fama justamente porque é especialista naquilo que se propõe a fazer, no caso, o legítimo café italiano. Aliás, esta foi a primeira vez desde que cheguei em Montreal que tomei um verdadeiro café: curto, forte, perfumado e encorpado como deve ser.
Entre uma bebericada e um bate-papo com Adriana e Leticia, brasileiras que encontrei por aqui, conhecemos alguns integrantes do grupo de música clássica I Musici, que já estiveram três vezes no Brasil. Enquanto eu, Dri e Leticia conversávamos, um deles, falando em português, nos ofereceu a programação de um festival africano que acontece em Montreal e nos contou sobre suas apresentações no Sesc Pompéia. Foi a senha para engatarmos uma conversa que se estendeu para vários assuntos, entre os quais o encantamento que Jacques, um dos membros da orquestra, tem pelo platéia brasileira e colombiana. Segundo ele, são os dois públicos entre todos para os quais já se apresentou pelo mundo afora que se entregam para a música de coração aberto. É pura diversão e prazer.
Ele relatou um acontecimento particularmente marcante ocorrido em uma de suas apresentações numa favela do Rio de Janeiro para um grupo de crianças que, diante do deslumbramento ao ouvirem pela primeira vez música clássica, transbordavam de alegria e encantamento. "Meus olhos se encheram de lágrimas". Para ele, foi a constatação de que para aquelas crianças não se tratava apenas de música, mas de um privilégio por ter desfrutado de um momento verdadeiramente único. É valorizar o que não se tem e festejar cada conquista, acredita ele.
Nossa conversa terminou com um CD que me foi presenteado por Jacques e a promessa de que ele nos deixará três ingressos na bilheteria do auditório da Universidade de Montreal, onde o grupo se apresentará dentro de duas semanas. Nós e o povo brasileiro agradecemos!

Luta Livre Medieval

Além da batucada que acontece no Parque Mont Royal (leia post abaixo), há também uma competição de lutas medievais. Dois times formados somente por homens e munidos de armas e roupas da idade média competem entre si, dando muita porrada uns nos outros. Na verdade, mais parece uma luta livre medieval, com a diferença que não há um ringue.
Não entendi quais são as regras do jogo, mas explicaram-me que há um juiz para determinar o grupo vencedor. Fiquei um pouco impressionada ao ver aquele bando de homens se batendo pra valer, com direito a espada, escudos, bolas com pregos e até um lançador de flechas. O intuito, claro, não é ferir ninguém, mas comentei com uma amiga que é no mínimo curiosa a maneira que esses rapazes encontraram para descarregar tanta energia acumulada.

Tam Tam

Basta o inverno acabar e todos os domingos centenas de pessoas se reúnem no Parque Mont Royal para o Tam Tam. Para nós, brasileiros, nada mais é do que a famosa batucada. Ao som de instrumentos de percussão, diversos músicos ou apreciadores do ziriguidum tocam seus tambores e uma multidão pula, dança e se chacoalha como se estivesse hipnotizada pelo som do batuque.

sábado, 25 de abril de 2009

Não Sei Se Vou Parir

Se vou parir, não sei. Mas hoje faz 9 meses que estou em Montreal.

Guarda-roupa de mulher

Desde ontem o assunto do momento é um só: os 27 graus que devem fazer hoje. Na sexta-feira à noite, depois de sair de um bar, cruzei com um senhor na rua que não sei se estava bêbado ou era louco. Falando aos quatro ventos e sabe-se para quem, ele festejava e alertava a todos sobre o tempo bom que fará hoje.
Ao passar por mim, desejou-me boa noite e me lembrou novamente para aproveitar bem o sábado de sol. Alias, apesar do friozinho que fez ontem, as pessoas saíram às ruas de chinelo e camiseta. Há garotas que já se arriscam a vestir shortinhos curtos e aparentemente suportam bem o vento gelado que ainda sopra por aqui. Enfim, todos enlouquecem com o primeiro raio de sol que desponta na céu.
Eu ainda não consegui abandonar de vez as blusas de lã, mas enquanto vasculhava o guarda-roupa e as gavetas procurando uma roupa mais veraneio para sair (sim, hoje não fico em casa de jeito nenhum!), me dei conta de que não me lembrava mais das peças de verão que habitualmente vestia no Brasil. Aliás, mesmo vindo de uma país tropical e acostumada com uns paninhos mais leves, cheguei à terrível conclusão de que não tenho nada adequado para vestir nesse dia de sol montrealais!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A Força do Grito Interior

Tive vontade de gritar com um coleguinha do trabalho, mas a sorte dele é que eu sou uma mulher fina, educada e me controlei. Na verdade, eu berrei com ele, mas foi internamente, no momento em que respirei fundo e pensei/esbravejei: "Vai lá e arrume esse computador agora, imediatamente e não atrapalhe o meu serviço, seu ordinário!!!! ". E sabe que a força do grito interior deu resultados? Meu estimado coleguinha ajeitou o computador rapidamente e tudo voltou a sua aparente normalidade. Ai, ai, gosto tanto do trabalho em equipe, desse espírito de união entre os colaboradores de uma empresa!

Meu Relógio Rolex, a Menina e a Polícia

Hoje, comprei mais um daqueles relógios que não duram a primeira gota de chuva. Dessa vez, paguei apenas 7 dólares, mais barato do que o modelo anterior que não aguentou nem um mês e o vidro trincou. Entrei na loja, dessas que vendem cacarecos, e enquanto escolhia meu Rolex, me dei conta de que havia pelo menos uns quatro policiais no estabelecimento. Um deles era uma mulher com cara de brava, má e impiedosa que segurava firme o braço de uma jovem que devia ter não mais do que 17 anos.
A garota foi pega em flagrante depois de roubar não somente a loja onde eu estava, mas também por ter feito a rapa nas boutiques de roupas instaladas na cidade subterrânea de Montreal. Não houve escândalo, truculência, abuso de poder e muito menos armaram um barraco. Pelo menos não percebi nada até o momento em que entrei na loja e presenciei o ocorrido.
Aliás, confesso que cheguei a sentir pena da menina, pois não acho que precisava mandar quatro policias grandes e fortes para agarrar uma garota magrela que roubou umas camisetas, brincos e outras bugigangas. Veja, não estou justificando o roubo, mas precisa de tudo isso? Com ar resignado, de cabeça baixa e sem muita coragem, ouvi a garota pedir para ser liberada. Claro, a policial feminina foi firme e sem largar o braço da jovem, levou-a embora.
Permaneci na loja por mais algum tempo (é preciso muita concentração para escolher um relógio de sete dólares) e ouvi as vendedoras, todas indignadas, dizerem que a garota vai passar por um juiz e este decidirá o que fazer com ela. Depois de escolher meu Rolex modelo Golden com ponteiros prateados, continuei caminhando pelos corredores do shopping e vi outros policias passando nas demais lojas para informar e alertar sobre o acontecimento e verificar se tudo estava em ordem. O curioso é que mesmo numa situação aparentemente sem resultados mais graves, os policiais armaram uma cena que fez lembrar os episódios de 007. Pobre garota!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Eu Não Estou Preparada!

A partir desta sexta-feira até terça-feira da próxima semana, a meteorologia prevê que os termômetros oscilem entre 20 e 26 graus!!!!!!! Como assim???? Eu não estou preparada emocionalmente para uma rajada de sol e calor de um só golpe!!!!!! Ok, sei que há meses venho desejando o sol, mas assim, repentinamente, é uma emoção muito forte, não sei se vou aguentar. Imagine, passar de uma temperatura em torno de 10 graus nas últimas semanas para 20 graus! Haja coração!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

E Assim Vai...

Sem grandes novidades das terras glaciais. O sol chega aos poucos, a gripe da semana passada ainda não foi embora e hoje estou bem rouca. Suspeito que até o final do dia perderei a voz. Ontem, fui ao batizado de Lucas, filho de Laila e Rafael, brasileiros que estão há uns 2 anos em Montreal e me acolheram quando cheguei por aqui. Fui à igreja, ouvi o sermão do padre e participei da festinha na casa do casal.
Confesso que às vezes até eu me supreendo, pois em outras circunstãncias jamais participaria de tal ritual. Nada contra e não há por trás disso nenhuma questão religiosa ou de princípios. Simplesmente há coisas para mim que não reverberam, que não fazem parte do meu universo, razão pela qual o mundo dos bebês, igreja, padre e batizados seguidos de jantar no domingo acabam sendo uma experiência. No caso desta, divertida e tranquila.
No mais, trabalho de leve, estudos, voltinhas pela cidade, DVDs alugados na biblioteca, a vontade e a insistência de Ginette, minha locatária, para que eu saia do meu quarto e me instale na varanda a fim de aproveitar o sol. Ela só não entendeu que para mim ainda faz um pouco de frio e, portanto, não me sinto nem um pouco inspirada a me refestelar na varanda da casa.

domingo, 12 de abril de 2009

Torre de Babel Bipolar

Praticamente recuperada da gripe depois de dormir por mais de 12 horas devido aos remédios que derrubam até um hipopótamo, resolvi, apesar do frio, dar uma voltinha pela cidade, no melhor estilo escolha um bairro, tome o metrô, desembarque na estação escolhida e descubra o local caminhando a pé.
Como sempre fico na região leste da cidade, parte francófona de Montreal, pouco conheço o lado oeste, onde se concentram os ingleses. Foi então que desci na estação Place des Arts e andei até a estação McGill, onde está situada uma das universidades anglófonas mais conhecidas e conceituadas da cidade.
Um rápido passeio pelas ruas dos bairros ingleses e você entende perfeitamente o que os próprios montrealais chamam de uma certa esquizofrenia com relação a essa "divisão" da cidade em dois mundos e duas línguas. De fato, quando você chega no lado oeste, a sensação sobre a cidade em comparação à parte francesa muda consideravalmente.
Ouve-se praticamente inglês, a maneira de se vestir das pessoas é outra, o tipo físico também é diferente (aqui entre nós, acho os garotos francófonos mais bonitinhos), a arquitetura da cidade se transforma. Os bistrôs cedem lugar para os pubs.
Para uma estrangeira como eu ou os turistas de passagem, a impressão que se tem é de que a diferença de idioma não impõe nenhuma barreira na boa convivência entre ingleses e franceses.
De fato, jamais presenciei manifestações explícitas de bairrismos ou rivalidades entre ambas as partes. Mas, também não se pode negar que ingleses e franceses não se misturam muito na cidade, concentrando suas vidas nos seus respectivos bairros.
Constato isso diariamente, pois como moro na parte francófona de Montreal e pelo menos uma vez por semana tenho de ir para o lado oeste, observo claramente essa diferença, algo como territórios marcados, ainda que não seja anunciado oficialmente onde estão as linhas que dividem o terreno.
Essa convivência às vezes civilizada, às vezes desconfortável, não é de hoje e faz parte das longas disputas históricas entre franceses e ingleses. Já ouvi dos francófonos que os ingleses roubaram tudo e um pouco mais, deixando-os na mais absoluta miséria nesse imenso bloco de gelo. Sem contar a eterna luta para impedir que a língua inglesa domine de uma vez por todas o Canadá inteiro.
Pode parecer pouco num mundo onde se fala inglês em qualquer parte do planeta, mas os quebequenses brigam com unhas e dentes (e eles têm orgulho de dizer isso) para manter o francês vivo e continuar sendo a língua oficial da província.
Minha locatária, por exemplo, evita frequentar a parte central da cidade simplesmente porque todos falam inglês e poucos comerciantes se esforçam em atendê-la em francês, "a língua oficial do Quebec", como ela mesma reitera. Por isso, diz não se sentir em sua própria cidade e opta por outros centros comerciais, onde seja capaz de falar e ser entendida em francês.
Essa nacionalismo não está presente somente nas gerações passadas, é forte também entre os jovens que hoje estão na faixa etária dos 20 e poucos anos. Certa vez, ao conversar com um quebequense de 25 anos, toquei nessa questão entre ingleses e franceses. Ele, em tom inflamado e no calor da conversa, deixou claro que se você está no Quebec, você tem a obrigação de falar francês. Perguntei se ele falava inglês fluentemente. Em tom de resignação, respondeu-me que sim, sem deixar, no entanto, de repetir que o francês é a língua oficial do Quebec.
Da parte dos ingleses, ouvi a seguinte resposta, também de um jovem anglófono, enquanto comentava sobre um canadense que somente falava francês: "Ah, mas então ele não é canadense, afinal, só fala francês", sorriu o rapaz em tom de anedota.
Aliás, que fique claro, um canadense da província do Quebec é antes de mais nada e acima de tudo um quebequense. Poucas vezes ouvi dizerem que são canadenses. Eles se sentem e se consideram québécois, praticamente uma outra nacionalidade, um outro país, razão pela qual o plebiscito para a separação do Quebec do restante do Canadá teve alto índice de aceitação por aqui.
No meio dessa Torre de Babel bipolar, estão os estrangeiros de todas as partes do planeta. Cada um falando seu idioma e todos aos mesmo tempo misturando suas respectivas línguas maternas com o francês e o inglês numa única conversa.
O mais interessante e divertido é que a comunicação acontece, porque chega uma hora que até você, cuja lingua nativa não tem nada a ver com isso, sai falando de tudo um pouco. E indiscutivelmente esse é o charme de Montreal e faz dela uma cidade com uma diversidade cultural tão intensa.

sábado, 11 de abril de 2009

Obrigada Coelhinho!

Ginette, minha locatária, foi passar a Páscoa fora e voltará somente na segunda-feira. Terei a casa somente para mim o final de semana inteiro! Ebaaa!!! Obrigada Coelhinho da Páscoa!!!!!

Maldita!


Gripe maldita, largue esse corpo que não lhe pertence!!!!!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Páscoa

Tinha pelo menos uns três posts para publicar hoje, mas uma gripe me pegou no meio do caminho e acabou com minha graça. Bom, por enquanto, desejo boa Páscoa a todos!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Ovo

Ovo é o mais novo espetáculo do Cirque du Soleil, anunciado ontem em Montreal, em coletiva de imprensa com direito a uma prévia do que a 25a edição do Cirque preparou para a tourné que se inicia em 23 de abril por aqui e deve seguir até maio, quando parte em viagem pelo mundo. Ao contrário das apresentações anteriores, em que o Cirque contava uma história, Ovo promete mergulhar o espectador num universo de insetos, com direito a gafanhotos , joaninhas e formigas, dando continuidade à idéia de seu mentor, Guy Laliberté, de abordar questões ecológicas nas apresentações do grupo.
Pela primeira vez em sua história, o Cirque confiou a produção de um espetáculo a uma mulher, Deborah Colker, coreógrafa brasileira conhecida por suas apresentações cheias de energia e movimento. Embore conte com um grande arsenal tecnológico, o objetivo do espetáculo é sempre destacar a performance dos acrobatas. Para tanto, muitas cores, frutas, música latina e bossa nova compõem esta produção, estimada em 25 milhões de dólares.
Para saber mais, acessse: www.cirquedusoleil.com/

Só Alegria!

Minha chefe pediu demissão faz uma semana e ainda não apareceu ninguém para ocupar seu lugar, o assistente de marketing para quem devemos responder tirou férias na semana passada e só volta daqui a 15 dias e o big boss, dono da empresa, não aparece por aqui diariamente. Mesmo que dê as caras, a sala dele é bem longe do meu cantinho de trabalho. Meu colega Mehdi, que outro dia me convidou para almoçar e está instalado na mesa de frente para mim, já virou camarada. Aliás, hoje mesmo ele me ensinou a utilizar a versão web do MSN sem ter a necessidade de instalar o programa no meu computador do escritório. Enfim, já deu para sentir que o clima no trabalho é só alegria!

terça-feira, 7 de abril de 2009

The Book Is Still On The Table! (Continuação)

Felizmente, consegui fazer a matrícula para a próxima sessão do curso de inglês. Ao contrário do que imaginava, além da possibilidade de fazer o curso intensivo de primavera, existia também a chance de se inscrever para a progamação de verão, uma opção mais interessante para mim. As aulas começam no dia 5 de maio e terminam no início de julho, tempo suficiente para estudar sem se privar das atividades de veraneio. O enfoque desta vez será na gramática e na escrita.

Frango Assado

Hoje, quase me matei de tanto comer frango assado. Tudo bem que não era aquele tradicional frango que fica girando no espeto dentro daquele aparelho que mais parece uma televisão gigante. Também não tinha farofa ou batatas assadas. Mas, encontrei o franguinho num supermercado perto de casa enquanto caminhava entre as gôndolas e passei em frente da rotisserie.
Não fosse pelo cheiro inconfundível, por pouco passava despercebida, pois o frango veio dentro de uma sacolinha laranja semelhante àquelas embalagens ziplog. Paguei quase 7 dolares pela iguaria, mas fiquei com tanta vontade que nao resisti. Além disso, agora tenho frango para a semana inteira e haja imaginação para variar os pratos.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Variações Climáticas e a Euforia Primaveril

Lembra-se daquele sol bonito, dos dias iluminados que anunciavam a primavera? Pois bem, acabou! Chove em Montreal há mais de uma semana e até quinta-feira o tempo deve permanecer o mesmo. Ok, faz menos frio, mas os dias cinzas e úmidos minaram um pouco minha euforia primaveril, especialmente porque não sabia e ninguém me informou que durante essa época do ano chove bastante por aqui.
Pelo que entendi, os grandes temas meteorológicos são o inverno e o verão. Durante essas duas estações você fica sabendo de tudo. A primavera e o outono, no entanto, parecem não inspirar grandes previsões, mas para uma navegante de primeira viagem como eu, conhecer os detalhes das estações menos relevantes é o melhor caminho para evitar grandes surpresas.
Afinal, mais do que preparar as roupas certas para cada época do ano (agora o que mais se vê nas ruas não são mais as botas de inverno, mas as famosas galochas ou botas de borracha multicoloridas), é importante também preparar o espírito e a mente para essas variações climáticas. Caso contrário, seu humor se transforma numa montanha russa, alternando momentos de euforia e tristeza num único dia.

sábado, 4 de abril de 2009

Cabane à Sucre

Apesar da chuva que insiste em cair há quase uma semana, fui ao Mont Saint Bruno conhecer a tradicional cabane à sucre, onde várias famílias quebequenses se reúnem e compartilham uma mesa farta. Devido às baixas temperaturas do Quebec, o cardápio não é nada light e muitos dos pratos são à base de porco. Serviram até a nossa conhecida pururuca. Fica ao gosto dos clientes despejar o xarope de erable, uma espécie de mel extraído das árvores de erable, nos pratos oferecidos.
O processo de retirada do erable se assemelha um pouco ao da borracha no Brasil. Baldes de metal são acoplados às arvores de erable para coletar a seiva que escorre pelo tronco. A extração acontece somente uma vez por ano, durate a primavera. Depois, o líquido é processado até adquir a consistência de um melado. Ainda quente, o xarope é esparramado numa espécie de esteira metálica coberta por uma camada de gelo picado. O choque térmico faz com que o erable adquira uma consistência mais rígida. Munidos de palitos de sorvete, as pessoas enrolam o erable formando uma espécie de pirulito do melado.
Depois de experimentar o tal pirulito de erable, fomos para a cabane à sucre, onde comemos muito. No menu, salada de repolho, beterraba, pão, patê, manteiga e picles como entrada, além de um suco à base de erable que tinha um leve gosto de maçã. Em seguida, os pratos principais: linguiça, pururuca, almôndegas mergulhadas num molho de erable, batatas, sopa , empadas com recheio de carne moída e outras coisas que nem me lembro mais.
Finalmente, crepe doce, torta com recheio de erable e uns biscoitinhos como sobremesa e café e chá para encerrar a refeição. A comida é servida à vontade e você pode repetir as porções quantas vezes quiser. O preço não é tão barato assim, algo em torno de 28 dólares canadenses, mas acho que para quem tem a oportunidade, é interessante conhecer pelo menos uma vez na vida.

Infelizmente, somente consegui fotografar o Mont Saint Bruno, pois a bateria da minha câmera fotográfica acabou no momento crucial. As demais imagens, embora não sejam de minha autoria, dão uma ideia de como é feito o pirulito de erable, sua extração e mostram a folha da árvore de erable, símbolo estampado na bandeira do Canadá.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Dança da Chatice

Acabei de chegar de um espetáculo de dança contemporânea apresentado no La Tohu, uma espécie de grande espaço cultural, próximo ao escritório do Cirque du Soleil. Segundo me disseram, no La Tohu há muitas apresentações artísticas gratuitas. Foi o caso desse espetáculo.
Ok, entendo que por se tratar de algo gratuito, não devemos exigir demais. Mas também sei que o fato de ser de graça não precisa, necessariamente, ser ruim. Infelizmente, essa apresentação não conseguiu unir o melhor das duas coisas, ou seja, a gratuidade do ingresso e a qualidade do espetáculo.
Tendo como tema de base a incomunicabilidade e de que maneira romper com essa barreira, duas bailarinas dividiram o palco com outros dois músicos, encenando algo para lá de experimental. Aliás, não sei o que é pior, o experimentalismo da dança contemporânea ou as pessoas com suas caras blasés tentando encontrar uma explicação, um sentido para algo que, no fundo, foi uma dança da chatice.

Hora do Almoço

Pela primeira vez, desde agosto de 2008, um colega de trabalho me chamou para almoçar. O convite partiu de Mehdi, argelino sobre quem já comentei neste blog e que trabalha de frente para mim. Como todo estrangeiro, aos poucos vamos quebrando o gelo, e aqui e ali desponta um gesto de coleguismo. Afinal, estamos todos no mesmo barco e consigo entender essa curiosidade e o interesse pelo outro.
Percebo o mesmo movimento por parte de Flavia, minha colega peruana. Nosso relacionamento não vai além do ambiente de trabalho, mas conversamos bastante, rimos e curiosamente hoje me dei conta de que ficamos, ainda que discretamente, saracoteando para cá e para lá no escritório.
Sob o pretexto de tomar um café (é a única que aceita meu convite para um cafezinho na cozinha), imprimir um documento ou procurar alguma coisa na net (geralmente receitas de comidas peruanas), o típico bate-papo feminino vai longe, e como ninguém por aqui entende português ou espanhol, falamos horrores!
Com Mehdi é um pouco diferente. Embora simpático e sempre prestativo, ele mantém uma postura mais profissional. Mas é só puxar papo que a conversa rende também. Hoje, por exemplo, falamos sobre restaurantes e logo ele se prontificou a nos mostrar, via Google, como chegar a um restaurante grego que ele adora.
Talvez inspirado nessa conversa sobre comidas, Mehdi tenha me convidado para comer uma pizza no almoço. Para quem não sabe, quando alguém por aqui diz literalmente que te convida para alguma coisa, quer dizer que ela pagará.
Enquanto comia minha pizza de pepperoni, Mehdi mostrou-se uma pessoa totalmente desarmada, acho até que precisava convesar com alguém e compartilhar um dilema que vive atualmente na sua vida privada. Ele chegou a se desculpar por dividir suas questões pessoais, mas como tive a impressão de que ele precisava de alguém para ouvi-lo, me solidarizei com sua causa.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Hi, The Book Is On The Table!

Terminei hoje o curso de inglês na McGill University. Meus coleguinhas de classe e eu fizemos a clássica prova final: oral, escrita e listening. De um modo geral, acredito que tive um bom desempenho nesses três meses de curso. Aluna aplicada que sou, não faltei um dia sequer e, acreditem, desde o início das aulas estudei em casa todos os domingos, cerca de 3 horas. Fiz todas as homeworks que a teacher pediu. Para complementar, estudei também os extra listening e reading proposto por ela e busquei material complementar em sites.
Meu inglês ainda não está impecável, especialmente a conversation, mas tenho a impressão de que melhorei consideravelmente o vocabulário e afiei mais os ouvidos. O que me falta mesmo é falar mais, pois para ser bem honesta, não preciso do inglês para nada em Montreal. Mesmo sendo uma cidade bilingue e todos reclamarem que na hora de concorrer a um emprego o inglês é essencial, nada disso aconteceu comigo desde que cheguei no Quebec.
Moro na parte francesa, trabalho com francófonos, minha chefe é francesa, Ginette, minha locatária, não fala inglês, nas ruas todo mundo domina o francês e nunca nem ninguém me perguntou if I speak English even for a job. Mesmo assim, tem sido bacana estudar inglês (pela milésima vez) e aprender palavras como: overcome, sleep deprivate, nest egg, the sky is the limit, bust of energy, put myself in my client´s shoes, waves os sleepiness e time is a good healer, etc.
A próxima etapa é dar continuidade aos estudos. Tinha em mente fazer o curso intensivo de primavera, cujo início será na próxima semana e termina em junho. Mas, acabei de consultar o site da universidade e percebi que as inscrições via internet deveriam ser feitas até 15 de março. Para variar, desconhecia essa informação e obviamente perdi o prazo. Aliás, nem passou pela minha cabeça fazer a rematrícula enquanto ainda estava no meio do curso anterior e sabendo que somente hoje faria o final test. Por uma questão de lógica, não poderia me inscrever para a próxima sessão sem saber se serei aprovada no estágio anterior.
Enfim, vamos torcer para que ainda haja alguma chance de matrícula, pois é bem boring esse negócio de datas e prazos tão, mas tão antecipados assim. Por enquanto, ainda não abandonei a famosa frase do inglês básico 1: the book is on the table! See you. Bye.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Trabalho Extra

A partir da próxima semana e durante todo o mês de abril, minha carga horária de trabalho aumentará. Isso porque fui comunicada hoje que terei de fazer a tradução do inglês para o português de alguns manuais que serão utilizados num novo serviço no site onde trabalho, cujo lançamento oficial está previsto para maio.
Desde janeiro deste ano, já estava trabalhando um pouco mais, e agora terei um acréscimo de mais 25 horas em abril. Como sempre, eu me encarregarei da parte de língua portuguesa enquanto Flavia, minha colega de trabalho peruana, fará o espanhol.
O prazo de entrega da tradução é curto, dado o volume do material e uma certa complexidade para verificar termos e expressões nas duas línguas, exigindo, portanto, atenção e cuidado no fazer, mas fico contente em saber que pouco a pouco tenho trabalhado mais, sem excessos ou exageros.
Quem me acompanha desde o início nesse blog sabe que minha carga horária inicial, logo quando comecei nessa empresa em agosto de 2008, era de apenas 12 horas semanais. Ainda não alcancei a jornada de 35 horas por semana, como é de praxe por aqui, mas estou bem satisfeita com o ritmo em que as coisas caminham. Tenho muita flexibilidade de horário, bastante autonomia e, de quebra, faço uma graninha extra. Não é uma fortuna, mas o suficiente para me manter por aqui.