quinta-feira, 28 de maio de 2009

Pacote Suspeito

Hoje, demorei mais de duas horas para chegar em casa, num percurso que normalmente levo uns 50 minutos de metrô. Ao sair do trabalho, por volta das 17h30, encontrei a estação Longueuil completamente parada. Nós, usuários, aguardávamos pacientemente, pois não é raro algumas vezes o metrô ter uma pane. Tudo muito tranquilo, cada um com seu jornal, Ipod, livro e coisinhas para comer e se distrair enquanto espera. Passada uma hora e nada dos trens andarem, fomos informados de que não havia previsão do metrô voltar a funcionar. O motivo: um pacote suspeito deixado numa das estações.
O metrô de Montreal conta com 4 linhas (laranja, verde, azul e amarela) e apenas a azul funcionava normalmente. Diante da paralisação, rapidamente os funcionários do sistema de transporte coletivo se organizaram e colocaram ônibus para nos transportar até Montreal. Vale lembrar que Longueuil fica fora de Montreal, algo como Alphaville, em São Paulo. O ponto de desembarque foi a estação Papineau, de onde foi possível pegar outros ônibus que circulam pela cidade.
Em dias normais, descer em Papineau e pegar o transporte público até minha casa é algo bastante tranquilo. Hoje, porém, havia muita gente e filas imensas. A diferença, no entanto, é que havia ônibus suficiente para atender a todos, pois um esquema especial também foi montado na cidade. Assim, fica fácil imaginar que a despeito da movimentação fora do comum para uma quinta-feira, tudo foi muito organizado. Ninguém cortou a fila, não houve empurrões, manifestações exaltadas dos descontentes ou qualquer ato de vandalismo. Nessas horas você entende na prática o que quer dizer a civilidade e a educação canadense.
E para fechar o dia com chave de ouro, eis que finalmente chego em casa, acendo a luz e pufff. A lâmpada queimou. Depois, pensei melhor e me dei conta que tudo poderia ter sido bem pior, pois pelo menos não havia neve e muito menos uma temperatura de 26 graus negativos. Você já esperou um ônibus quando a temperatura chega a esse nível? Pois eu já, uns 40 minutos, e posso dizer que tive a impressão de ter perdido os dedos dos pés, das mãos e o nariz. É tão gostoso!!!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Salada

Pela segunda vez, participei de uma mesa de estrangeiros que se encontram toda quarta-feira para praticar francês. Tudo bem que seria muito mais produtivo se participasse de um grupo anglófono, mas tais encontros também são um bom pretexto para conhecer novas pessoas e trocar experiências. E posso dizer que até aqui tem sido bem bacana, pois no final das contas você percebe que para além do francês e inglês, escuta-se de tudo um pouco: espanhol, português, italiano, alemão, árabe, chinês e o que mais for necessário para que a comunicação se faça. Uma verdadeira salada!

terça-feira, 26 de maio de 2009

7 1/2 Semanas de Amor

Foram apenas 7 1/2 semanas de amor entre minha locatária Gigi e seu namorado, tempo insuficiente para dar continuidade à segunda parte do filme 9 1/2 Semanas de Amor. O motivo do rompimento? A eterna dificuldade de comunicação entre homens e mulheres.

Dez Meses

Quase me esqueci, mas ontem fiz aniversário de 10 meses em Montreal.

domingo, 24 de maio de 2009

Quebec Independente

Manifestação pela independência do Quebec

sábado, 23 de maio de 2009

China

Pavilhão Chinês do Jardim Botânico de Montreal

Insectário


Insectário do Jardim Botânico de Montreal

terça-feira, 19 de maio de 2009

Longuíssimo

Dá para acreditar que ainda faz frio por aqui? Ok, nada comparado aos 26 graus negativos com sensação térmica de - 30 graus, mas ainda não consegui abandonar de vez os trapinhos de inverno que vestia no Brasil. Disseram-me que calor mesmo, daqueles de arrancar o fôlego, somente em meados de junho e julho. À exceção dos quebequenses que acreditam que aqui as estações são bem definidas, todos os demais se queixam do inverno longuíssimo, pois no final das contas são bem uns 6 meses de frio.

Quiz Show

1) Pergunta que um nativo me fez quando questionado sobre sua profissão: você sabe o que é um contador?
Resposta de quem vos escreve: sim, contador é aquela pessoa que tem um trabalho difícil porque precisa fazer cálculos.
2) Pergunta que um nativo me fez sobre o inverno: você gostou do inverno do Canadá?
- Resposta de quem vos escreve: gostar não é o termo correto. Digamos que não tive escolha.

- Observação do nativo: mas o inverno volta todos os anos.

- Comentário de quem vos escreve: Ah, isso com certeza!

3) Pergunta que um nativo me fez sobre uma expressão idiomática: você sabe o que quer dizer a expressão "eu sou um livro aberto"?
- Resposta de quem vos escreve e que já não aguenta mais ser tratada de forma tão absurdamente didática: por que você me pergunta se eu sei o que quer dizer isso ou aquilo?

- Comentário do nativo: desculpe, não quis te ofender. Mas às vezes os franceses não entendem muito bem o québecois, e como você aprendeu o francês da França, eu não quero dizer coisas que você não entenda.

- Comentário de quem vos escreve: fique tranquilo, se eu não entender alguma coisa, eu pergunto. Quanto à expressão "eu sou um livro aberto", ela existe também na minha língua materna.


Tá pensando que é fácil lidar com as diferenças culturais? Pois é, rapadura é doce mas não é mole não!

sábado, 16 de maio de 2009

Na Companhia Dos Garotos

O sábado prometia ser uma grande tédio. Dia cinza, chuvoso, frio e nenhuma programação em vista. De repente, o telefone toca. Nem atendi, pois tinha certeza de que a ligação não era para mim. Ginette me chama e diz que alguém quer falar comigo. Do outro lado da linha, Jacques, o músico que há cerca de uns 10 dias me convidou para o concerto de música clássica, diz alô com seu sotaque quebequense inconfundível.
Alguns dias depois do concerto, enviei-lhe um email agradecendo pelo convite e para retribuir a gentileza, convidei-o para tomar um café um dia qualquer. Como a resposta dele foi evasiva, jamais pensei que o assunto seguisse adiante. Pois bem, Jacques me ligou, convidou-me para tomar um café, veio me buscar em casa para me poupar da chuva, levou-me num café-bistrô bem bacana, pagou a conta e me apresentou um amigo francês que em breve parte para Chicago. Foi um encontro agradável, cheio de conversa jogada fora, algo descontraído.
Não sei muito bem explicar o que acontece, mas por experiência própria é sempre mais gostoso e bacana quando há a presença não somente de quebequenses, mas especialmente de outros estrangeiros na roda. Acho que a troca cultural, o ponto de vista alheio e o fato de na maior parte das vezes a conversa acontecer com pessoas que estão sempre em movimento, num eterno vai e vem pelo mundo, fazem do bate-papo algo mais saboroso.
Foram cerca de umas três horas de blá, blá, blá. Ao final, despedi-me do amigo de Jacques (perdoem-me se nunca lembro dos nomes, mas muitos são bem complicados de memorizar) e este me deixou no metrô mais próximo. Decidi, então, encontrar o pessoal do meetup de inglês-francês, que acontece religiosamente todos os sábados. Claro, cheguei super atrasada e não havia mais ninguém no local. Mas, como sabia que hoje era a despedida de Marketa, que volta para sua casa na República Tcheca, e todos os integrantes do meetup se reuniriam num restaurante, fui diretamente para lá. Bom, Montreal é uma cidade pequena e muitas vezes basta caminhar algumas quadras para encontrar as pessoas.
Cheguei ao restaurante e lá encontrei algumas caras conhecidas. Falei bobagem, ri bastante, conversei, respondi aquelas perguntas clássicas sobre nacionalidade, países, profissão, etc. Lá também conheci outro novo integrante do grupo. Um argelino cujo nome não me lembro também. Ficamos todos por ali e finalmente decidimos mudar de ambiente. Fomos para um bar-discoteca.
O argelino me pagou uma bebida, disse que eu tinha pés pequenos, (sei, não tô entendendo!), perguntou se eu era tímida (siiiiiimmm!!!!!!), disse que eu estava tensa (continuo não entendendo), queria dançar e Samir, outro amigo argelino, ficou plantado do meu lado, feito leão de chácara e com cara amarrada, exigindo minha atenção. Pois é, sem comentários. Enfim, para um sábado que começou sem nenhuma perspectiva, até que me diverti bastante e, mais uma vez, na companhia dos garotos. Eu sei, já falei isso, mas não custa repetir: adoro os meninos!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Versão Light x Versão Safada

Tenho pensando em sexo. Não, não tenho pensado no ato em si. Enfim, sim, penso no ato em si, mas neste caso me refiro às minhas observações quando caminho pela cidade e constato as diferenças marcantes das pessoas de Montreal e São Paulo. Ai, claro, nada fica de fora, inclusive quando o tema é a manifestação da sexualidade, do desejo, das taras das pessoas as mais comuns que cruzo nas ruas.
Em São Paulo, apesar do caos e da multidão que se arrasta e te leva junto, as pessoas ainda encontram um jeito de paquerar. Exatamente, algo simples assim: paquerar. Não sei nem o que dizer das demais cidades onde o sol brilha o tempo todo, a praia é logo ali e corpos bonitos, bronzeados e sarados desfilam livremente. Pois é, a paquera tem a ver com expressão corporal, imaginação e em muitos casos dispensa qualquer blá, blá, blá.
Pelo menos é assim que vejo a sexualidade dos brasileiros, recheada sim, de uma inegável latinidade que não esconde o desejo muitas vezes até, digamos, um pouco agressivo, pois se vacilar, você corre o risco de não entender (mas depois talvez acabe até gostando) porque seu corpo foi involuntariamente agarrado. Olhares, insinuações e em alguns casos descaramento puro fazem parte do jogo da sedução.
Em Montreal, a lógica parece funcionar de outro jeito. Nem melhor ou pior, longe disso. Os montrealaises não deixam de citar o seu lado latino para mostrar o quanto também são calorosos. Vejam, eu disse calorosos, mas não necessariamente, quentes. Pelo menos não a olhos nus. Ok, há sempre um sorriso por parte deles e uma educação invejável. São bons de papo, conversam sobre tudo e dificilmente utilizam uma abordagem mais agressiva quando querem impressionar uma mulher.
Não há aquele olhar desejoso (de tarado mesmo!) para as mulheres, mesmo quando elas fazem da camiseta mais longa o vestidinho de verão. E, quando alguém te olha, tenha a certeza, são árabes ou latinos. No metrô, lugar que adoro não somente pela riqueza de histórias e personagens, mas porque ali é um excelente lugar para a paquera, constatei que uma grande parcela dos usuários passa boa parte do trajeto com o Ipod no ouvido, lendo jornal, livro, dormindo, falando sozinho ou olhando para o chão.
Fora do subterrâneo, como o frio dura praticamente seis meses, os corpos cobertos o tempo todo não inspiram grandes fantasias. Tudo bem, alguém pode dizer que uma fantasia sexual não precisa necessariamente de um pedaço de carne à mostra, pois o que importa é o amor. Eu sei, entendo isso também, mas estou falando de pulsão sexual, vulgo, tesão. E acho sim, que nesse quesito, um belo corpo (segundo o gosto de cada um) estimula muito o imaginário.
Vamos a um exemplo mais objetivo: perto de casa, uma empresa começou a demolir parte de um escritório. Ao contrário do Brasil, aqui não tem muito isso de chamar o seu Zé da obra para tocar o projeto. Tudo é feito na base de empresas especializadas e seus operários contratados, grandes máquinas, tudo com a maior segurança e profissionalismo.
Pois bem, todos os dias passo em frente da obra e, numa dessas manhãs, dei um sorriso e disse "Bonjour" a um dos operários. Juro que não estava paquerando o cara! Sei lá, escapou, estava de bom humor, o sol radiante lá fora. Em qualquer outra circunstância no Brasil, o andaime já teria vindo abaixo. Estou bem longe de ser a gostosona do pedaço, mas qual a mulher que já não levou uma cantada daquelas bem chulas do time masculino da construção civil?
O meu operário padrão, para quem todos os dias agora digo "Bonjour" e solto um sorrisinho (sim, no começo não era paquera, mas como ele é gentil e educado, agora acho que mudei de idéia), está muito distante disso.
Ele corresponde às minhas investidas quase adolescentes com um simples meneio de cabeça (Red, esta é para você) , mas não chega a esboçar aquele sorriso Colgate e, claro, não me aborda de jeito nenhum. É discreto, quase não reage, mas fica ali, no alto daquela máquina que suspende, arremesa, joga, atira blocos, pedras e o que mais você quiser me olhando de soslaio com aquele olhos azuis.
Como sou tímida, há momentos que tenho vontade de dar uns berros com esses homens daqui para ver se eles fazem alguma coisa, mas depois chego à conclusão de que gosto dessa versão light canadense de sedução. Se bem que também gosto da versão safada brasileira. Dá para juntar um pouco das duas?

Fênix

Tal qual Fênix, eu também renasci das cinzas e cá estou de volta a este blog. Por que desapareci? Bom, digamos que tive um branco literário, uma completa falta de inspiração ou um bode geral, como diz o linguajar popular. Sim, há algumas semanas fui invadida por notícias que me desagradaram e cujos efeitos se potencializaram por conta de uma TPM maldita que todos os meses me arruina, arrasa, destrói, acaba comigo!!! Meu corpo dói, minha mente deprime e o que já era ruim, fica pior ainda. Felizmente, passada a fase sombria, o mundo volta a sorrir juntamente com o sol que a cada dia é mais intenso por aqui. Nesse tempo em que me mantive em silêncio, muita coisa aconteceu, mas como não é possível voltar ao passado, eis um resumão dos últimos capítulos dessa novela que é minha vida nas terras geladas.
1) Depois de meses de espera, a Universidade de Montreal recusou meu pedido de mestrado em tradução. Motivo: minha formação não é suficiente para fazer parte do programa. Sem comentários!
2) Continuo na corda bamba no meu trabalho. Na última sexta-feira, todos foram embora e agora somos meia-dúzia de gatos pingados no escritório. O pagamento dos salários começou a atrasar, mas o dono da empresa veio até nossa mesa e nos informou que um empréstimo foi feito e tudo será regularizado. Também nos informou que a empresa está à venda. Portanto, a qualquer momento tudo pode mudar.
Da minha parte, não procurei emprego ainda e acho que não o farei até me colocarem para fora. Como venho de uma semana em que só recebi não como resposta e desde que cheguei aqui me queixo do quanto é árdua a tarefa de romper algumas barreiras (estudos, trabalho, amigos, clima, etc...), creio que tomei a sábia decisão de me deixar levar pelos ventos. Ou seja, vou acalmar meu vigor em tudo o que me proponho a fazer e flanar mais. Sem grandes compromissos, especialmente comigo mesma. Estou levando a sério aquele ditado que diz: quando você não sabe o que fazer, o melhor a fazer é não fazer nada.
3) Entre uma coisa e outra, tenho resgatado mais as pessoas e estou disposta a estabelecer novas amizades e contatos. Escrevi para Nada, minha colega da Costa do Marfim, convidei-a para sair, escolhi um bar bacana e ela levou seu namorado, um iraniano cujo nome complicado não me lembro. Nada me apresentou o amigo de seu namorado, o Ariane. Ela está empenhada em me arrumar um namorado e acredita que os iranianos são um bom partido.
4) Teve o jantar na casa do Samir, meu amigo da Argélia, e no final de semana seguinte, outro jantar na casa da francesa Nathalie. Simpática e sociável como sempre, Natahlie convidou os nossos amigos estrangeiros e seus locatários quebequenses para compartilharem a mesma mesa. Preparou-nos Les Galettes, segundo ela um prato típico da Bretanha, região onde nasceu.
5) Houve também concerto de música clássica, com convite oferecido por Jacques. Conheci-o num café italiano juntamente com outras amigas brasileiras. Trocamos telefone e ele disse que me ligaria duas semanas depois para me informar sobre os convites que deixaria na portaria do auditório. Pensei que ele nem se lembraria mais e qual não foi a surpresa ao ouvir o recado na secretária eletrônica de Ginette confirmando o convite.
Depois dessa mensagem, Jacques voltou a me deixar mais uns seis recados para me informar sobre detalhes menores do dia do espetáculo. Confesso que comecei a ficar com um pouco de medo desse comportamento um tanto quanto obsessivo, mas não declinei do convite e fui sozinha vê-lo tocar, pois as minhas queridas coleguinhas me deixaram na mão na última hora. Foi uma noite agradável. Depois do espetáculo, houve uma recepção com bebidinhas e comidinhas, Jacques me apresentou outro músico de Toronto, cujo nome não me lembro mais, e nos convidou para um café num lugar muito charmoso. Sei que já disse isso, mas eu adoro os meninos!
6) Desde semana passada, Mehdi, meu colega de trabalho, havia me convidado para um happy hour hoje, sexta-feira. O convite já foi para o brejo, porque Mehdi disse que teve um imprevisto. No encontro de hoje, estaria presente também o Alan, mexicano que trabalha na rádio Canadá e que me foi apresentado por intermédio de Mehdi. Conheço Alan somente por telefone e Facebook e hoje seria uma boa oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente. Mehdi tem me ajudado a conhecer melhor como funciona o esquema de trabalho por aqui e enfatizou a importância de estabelecer redes com pessoas que atuam no mesmo meio profissional. Eis a razão pela qual cheguei até Alan.
7) Enquanto a vida acontece desse lado, do outro, sigo estudando inglês. Meu curso na escola pública acabou na última quarta-feira e a professora me passou direto para o High School. Assim, saltei quatro estágios e agora preciso fazer um teste para ver se tenho mesmo condições de acompanhar o High School que, segundo a minha teacher, é mais complexo. Na quarta-feira passada, comemoramos o último dia de aula com uma festa. Quem quisesse, poderia levar um prático típico de seu país.
Pensei que as pessoas não se entusiasmariam muito em preparar algo, mas me enganei. Mesas fartas, comidas deliciosas, um verdadeiro regalo. Eu me fartei de experimentar comida árabe, indiana e outros quitutes mais. Houve música, muita gente dançou e comeu até o próximo inverno, quando todos entram em fase de hibernação, inclusive os humanos. Troquei telefones com Farah, argelina que fez o curso junto comigo e, se nao estou enganada, sinto que ela quer se aproximar, sair, fazer amizade. Enfim, acho que ela gosta de mim.
Ao mesmo tempo, as aulas de verão na Universidade McGill começaram há uma semana e agora estou estudando gramática. A atual teacher é muito mais interessante, divertida, engraçada e levemente caótica, nada comparado com a professora anterior. Seja como for, prefiro esse jeito mais soltinho.
8) Em casa, vai tudo bem com Gigi, minha locatária. Da última vez que publiquei um post sobre ela, falei que Gigi tinha arrumado um homem para chamar de seu e este passaria o primeiro final de semana em casa. Correu tudo bem, felizmente. Depois, foi a vez de Gigi dormir na casa dele, o que aconteceu no final de semana passado. Ela até tirou a sexta-feira de folga para prolongar seu final de semana com o namorado. Eu fico feliz da vida e agradeço quando tenho a casa toda para mim.
Amanhã, porém, é a vez dele dormir em casa. Gigi já me enviou um email informando a chegada do dono do galinheiro. Eu, que sou pintinho nessa história e não pio nada, repondi apenas um OK. Afinal, sou a principal interessada no sucesso pleno e absoluto desse relacionamento, pois Gigi fica muito menos deprimida e mais legal na companhia de alguém.
Prova do meu desejo sincero de felicidade ao casal foi quando Gigi me contou que teve o primeiro desentendimento com o namorado e estava disposta a passar o final de semana na casa dele para resolver o assunto. Ou seja, queria discutir a relação depois de apenas cinco semanas que estão juntos e, pior, por um motivo tão banal e besta que eu tratei logo de dissuadi-la.
Disse sem o menor pudor que não fazia muito sentido discutir uma relação de apenas cinco semanas por conta de um motivo menor. Aliás, não sei se ela gostou, mas falei também que às vezes, nós, mulheres, temos essa tendência chata de tudo, absolutamente tudo discutir, conversar, entender, botar em pratos limpos questões que a própria convivência trataria de fazer seus ajustes. Fui além e falei também que era interessante ela pensar se prefere perder o partido que arrumou ou ajeitar tudo como ela gosta apenas usando o jeitinho feminino. Ela apenas respondeu: você tem razão. Detalhe: Gigi está lá na casa dos seus cinquenta e lá vai pedrada, mas pelo visto, as coisas não mudam mesmo.
9) Estou pensando em estudar filosofia. Tenho cogitado essa possiblidade desde quando ainda estava no Brasil. Nada muito longo ou complicado demais, eu acho. Nessa minha fase flaneur, encontrei um curso chamado Filosofia e Racionalidade. As inscrições começam em agosto e, para variar, tenho de enviar mais uma pilha de papéis e aguardar resposta para ver se me aceitam ou me enviam novamente uma cartinha safada pelo correio dizendo não, você não pode estudar aqui. Ou seria melhor fazer um curso de como aprender a juntar papel o mais rapidamente possível sem se perder no meio deles?
10) Finalmente, viajo para o Brasil no final deste ano. Para aproveitar as melhores tarifas, já comprei a passagem. Eu sei, é cedo demais, mas até lá vamos ver aonde os ventos me levam.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Nada a Declarar

Semana difícil. Nada a declarar por enquanto!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Santé, Samir!

Eu, Nathalie e Samir
Clavel, da Ilha de Guadalupe, Eu e a francesa Nathalie
Todos à mesa. Ao fundo, Akim, argelino como Samir. Não me lembro do nome dessa moça de cabelos longos e negros. Sei apenas que é russa.
Eu, Nathalie, Akim, Steve (locatário de Samir, quebecois) e Clavel


Ontem, fui a um jantar na casa de Samir, meu amigo argelino e uma das primeiras pessoas que conheci por aqui, juntamente com a francesa Nathalie. Samir chegou em Montreal há cerca de um ano e meio e no começo foi tudo muito dificil, como o é para muitos que desembarcam por essas bandas. Samir demorou para conseguir um emprego, estava insatisfeito com os locatários com quem dividia um apto e precisava urgentemente comprar um carro, caso contrário não teria como voltar de madrugada do trabalho.
Este ano, porém, tudo parece melhorar. Samir arrumou um bom emprego na Bombardier, mudou-se de casa e agora mora num apartamento impecável, e finalmente comprou um carro. Assim, para comemorar tantas conquistas e o fato de que tudo parece deslanchar em sua vida, ele nos convidou para um jantar em sua nova casa.
No início, contávamos com uma pequena reunião, pois a festinha estava marcada para às 15 horas. Estranhei o horário, pois para mim nem aniversário de criança começa tão cedo. Mas, como convidada, achei melhor não me pronunciar. E qual não foi a surpresa ao perceber que ele havia nos preparado um delicioso jantar, com direito a churrasco, saladas, entradas, várias bebidas e uma fatura que desde então somente tinha visto quando estava no Brasil.
Num dado momento, Samir disse que não gostava dessa história de festa que tinha hora marcada para acabar. De fato, não é raro ser convidado para alguma atividade por aqui e tudo durar apenas duas ou três horas. As pessoas chegam pontualmente, comem, conversam um pouco e depois se vão.
Não foi o caso de Samir. Ele colocou música para animar a festa, serviu petiscos, preparou a comida ao mesmo tempo em que todos conversavam, pôs a mesa e todo mundo acabou participando dos preparativos. Não havia muita gente, talvez umas 7 ou 8 pessoas das mais diferentes nacionalidades: brasileira, francesa, argelina, russa, canadense, etc... Quando estávamos todos à mesa, finalmente brindamos a nova casa de Samir, o carro, o novo emprego, enfim, todo seu esforço diante de tantas conquistas. Santé et Bravo, Samir!

sábado, 2 de maio de 2009

La Mouche

Ontem, fui ao La Mouche, casa noturna localizada no centro de Montreal e dancei feito uma louca até as 3h da manhã (sim, as casas noturnas por aqui fecham cedo, às 3h da madrugada). Programas como esse são quase um evento na minha vida, pois o último lugar onde penso em ir quando saio de casa é a uma disco. Mas, como se tratava da despedida de Marketa, uma amiga que em breve deve voltar para seu país, achei que a ocasião valia a pena.
Claro, tudo isso não seria possível sem algumas doses de álcool. Não, não bebo e muito menos me tornei uma dependente química, mas você deve concordar comigo que somente depois de devidamente abastecida é que a máquina começa a funcionar, especialmente em lugares como esse. Então, sem ficar bêbada e cair no meio da pista de dança, como vi acontecer com algumas garotas, tomei um Martini com Lichia e mais tarde uma Smirnoff Ice. Aí sim, dancei, dancei até a boite fechar.
O mais gostoso de beber e dançar, princiapalmente música eletrônica, é que por conta do efeito do álcool e a batida do som, tem-se a sensação de entrar em transe, como se você se descolasse do seu corpo. Ok, talvez as bebidinhas tenham me causado um efeito maior pelo fato de eu não estar acostumada, mas eu gostei da sensação.
O lado B da história é que também me dei conta de que sou uma pessoa facilmente "drogável", pois suspeito que não sou capaz de consumir álcool com moderação e controle. Talvez por compulsão ou pelo prazer inegável que o álcool proporcione, me tornaria rapidamente uma dependente química. Por isso me mantenho longe das bebidinhas e de qualquer substância ilícita. Mas, que é gostoso, ah isso é!
Para saber mais, acesse: www.lamouche.ca

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Um Homem Pra Chamar de Seu

Minha locatária Ginette encontrou um novo namorado. Pelo que percebi, o relacionamento caminha de vento em popa e tem feito um bem danado a Gigi. Roupas e sapatos novos, cosméticos, tratamento para reduzir a celulite, novo visual com direito a um corte de cabelo moderno são apenas alguns dos sinais que mostram que Gigi tem um homem pra chamar de seu. Em clima de romance, ela decidiu retribuir os agrados do namorado e lhe convidou, pela primeira vez, a passar o final de semana em casa. Ele deve jantar em casa neste sábado e ir embora somente no domingo. Da minha parte, deixei claro para Gigi que não quero atrapalhar, até porque já me programei para o final de semana.

O Fantasma da Crise

A empresa onde trabalho mandou embora esta semana mais da metade de seus funcionários. Considerando-se que somos uma equipe pequena, talvez não mais do que 30 pessoas, dá para imaginar que não sobrou muita gente. Eu ainda continuo exercendo minhas atividades, mas tudo indica que não será por muito tempo. O motivo para tantas demissões é um só: o fantasma da crise econômica. Hoje, sexta-feira, alguns funcionários já começaram a se despedir definitivamente. O prazo é que até 11 de maio todos os demitidos deixem seus cargos. O clima por aqui é meio de velório, com as pessoas matando o tempo enquanto a hora derradeira não chega. É triste isso!

Porcine

A gripe suína ou grippe porcine, como eles chamam por aqui, finalmente chegou a Montreal. A imprensa não forneceu mais detalhes, talvez para evitar o pânico, mas sabe-se que se trata de um homem, morador de Montreal, e que contraiu a gripe em seu estágio mais leve. As autoridades locais relataram também que estão preparadas para lidar com a pandemia e informaram aos habitantes da cidade que não é necessário, pelo menos por enquanto, utilizar máscaras.