sábado, 16 de maio de 2009

Na Companhia Dos Garotos

O sábado prometia ser uma grande tédio. Dia cinza, chuvoso, frio e nenhuma programação em vista. De repente, o telefone toca. Nem atendi, pois tinha certeza de que a ligação não era para mim. Ginette me chama e diz que alguém quer falar comigo. Do outro lado da linha, Jacques, o músico que há cerca de uns 10 dias me convidou para o concerto de música clássica, diz alô com seu sotaque quebequense inconfundível.
Alguns dias depois do concerto, enviei-lhe um email agradecendo pelo convite e para retribuir a gentileza, convidei-o para tomar um café um dia qualquer. Como a resposta dele foi evasiva, jamais pensei que o assunto seguisse adiante. Pois bem, Jacques me ligou, convidou-me para tomar um café, veio me buscar em casa para me poupar da chuva, levou-me num café-bistrô bem bacana, pagou a conta e me apresentou um amigo francês que em breve parte para Chicago. Foi um encontro agradável, cheio de conversa jogada fora, algo descontraído.
Não sei muito bem explicar o que acontece, mas por experiência própria é sempre mais gostoso e bacana quando há a presença não somente de quebequenses, mas especialmente de outros estrangeiros na roda. Acho que a troca cultural, o ponto de vista alheio e o fato de na maior parte das vezes a conversa acontecer com pessoas que estão sempre em movimento, num eterno vai e vem pelo mundo, fazem do bate-papo algo mais saboroso.
Foram cerca de umas três horas de blá, blá, blá. Ao final, despedi-me do amigo de Jacques (perdoem-me se nunca lembro dos nomes, mas muitos são bem complicados de memorizar) e este me deixou no metrô mais próximo. Decidi, então, encontrar o pessoal do meetup de inglês-francês, que acontece religiosamente todos os sábados. Claro, cheguei super atrasada e não havia mais ninguém no local. Mas, como sabia que hoje era a despedida de Marketa, que volta para sua casa na República Tcheca, e todos os integrantes do meetup se reuniriam num restaurante, fui diretamente para lá. Bom, Montreal é uma cidade pequena e muitas vezes basta caminhar algumas quadras para encontrar as pessoas.
Cheguei ao restaurante e lá encontrei algumas caras conhecidas. Falei bobagem, ri bastante, conversei, respondi aquelas perguntas clássicas sobre nacionalidade, países, profissão, etc. Lá também conheci outro novo integrante do grupo. Um argelino cujo nome não me lembro também. Ficamos todos por ali e finalmente decidimos mudar de ambiente. Fomos para um bar-discoteca.
O argelino me pagou uma bebida, disse que eu tinha pés pequenos, (sei, não tô entendendo!), perguntou se eu era tímida (siiiiiimmm!!!!!!), disse que eu estava tensa (continuo não entendendo), queria dançar e Samir, outro amigo argelino, ficou plantado do meu lado, feito leão de chácara e com cara amarrada, exigindo minha atenção. Pois é, sem comentários. Enfim, para um sábado que começou sem nenhuma perspectiva, até que me diverti bastante e, mais uma vez, na companhia dos garotos. Eu sei, já falei isso, mas não custa repetir: adoro os meninos!

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